Capgemini Cresce 11% no Q1 com IA Agentica Respondendo por Mais de 11% das Reservas
O grupo francês registrou €5,9 bilhões em receita no primeiro trimestre, acima das expectativas. América do Norte e Reino Unido avançaram acima de 20%, enquanto a França, mercado doméstico, foi o único negativo.
A Capgemini abriu 2026 com o melhor desempenho orgânico dos últimos anos. O grupo francês registrou €5,94 bilhões em receita no primeiro trimestre, crescimento de 11% em moeda constante, acima do que a maioria dos analistas esperava. Para uma empresa de 421 mil pessoas que compete nos mesmos mercados que Accenture e TCS, esse ritmo de crescimento orgânico não é trivial.
O motor do resultado está concentrado em dois mercados: América do Norte e Reino Unido, que avançaram 20,7% e 21,7%, respectivamente. O mercado doméstico, a França, foi o único negativo com queda de 1,0%. América Latina e Ásia-Pacífico combinadas registraram o maior percentual de crescimento do grupo, 26,9%, ainda que representem o menor bloco de receita absoluta.
Por dentro do portfólio de serviços, quem puxou o crescimento foi o segmento de Operations and Engineering, com alta de 25,2%. O número reflete a absorção das aquisições de WNS e Cloud4C, fechadas no Q4 de 2025, e sinaliza que a aposta em serviços de infraestrutura e engenharia de plataformas já está gerando escala. Applications and Technology, que representa 63% da receita total, cresceu 4,8%.
O que começa a aparecer de forma mensurável nos resultados é o peso da IA. Bookings de IA generativa e agentica passaram a representar mais de 11% do total de reservas do grupo no trimestre. O número ainda não move a receita de forma expressiva, mas booking é leading indicator: reflete o que entra na fatura nos trimestres seguintes. O CEO Aiman Ezzat afirmou que o resultado valida a estratégia de cloud e IA da empresa e que o grupo está superando a maioria dos concorrentes no mercado.
O grupo fechou o trimestre com reservas totais de €6,05 bilhões, alta de 6,2% em moeda constante, e book-to-bill de 1,02. A orientação para o ano completo segue entre 6,5% e 8,5% de crescimento em moeda constante, com margem operacional entre 13,6% e 13,8% e fluxo de caixa livre orgânico entre €1,8 bilhão e €1,9 bilhão.
Dois sinais do resultado são relevantes para quem acompanha o setor. O segmento de Operations and Engineering cresce três vezes mais rápido que Applications and Technology dentro do mesmo grupo, o que indica para onde a demanda corporativa está migrando. As duas aquisições fechadas no fim de 2025 já aparecem no crescimento do Q1 de forma mensurável, confirmando que consolidação via M&A continua sendo um caminho eficiente de ganho de escala no setor de serviços de TI.