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Segurança & Risco6 min

EY confirma vazamento em plataforma terceirizada e notifica quatro estados americanos sobre dados fiscais de clientes

Escritório noturno de um sócio de tax practice de firma Big Four com luminária sobre pilha de declarações de imposto amarradas com fita vermelha e laptop com planilha censurada.

Big Four admite intrusão entre 28 de março e 12 de abril em plataforma de suporte de TI. Dados fiscais e informações financeiras de clientes expostos. Notificações em quatro estados; escritório de EUA oferece 24 meses de monitoramento Experian.

A Ernst & Young comunicou nesta semana às autoridades de proteção ao consumidor da Califórnia e do Vermont que sofreu vazamento de dados em uma plataforma de IT service management terceirizada usada por sua prática de tax services. A notificação à California Attorney General foi arquivada em 15 de julho e a de Vermont em 16 de julho. A TechTimes reportou em 19 de julho que quatro estados americanos foram notificados até agora e que as cartas para os afetados começaram a ser enviadas em 13 de julho. É a segunda das Big Four a admitir incidente de terceiros em julho, depois da Accenture ter confirmado brecha em 7 de julho.


O próprio comunicado da EY, replicado por Bleeping Computer e Cybernews, traça a linha do tempo: acesso não autorizado à plataforma entre 28 de março e 12 de abril, detecção interna em 23 de abril, contenção nos dias seguintes e investigação com firma independente de forense. Segundo o texto assinado pela EY, os dados expostos incluem nomes, endereços, datas de nascimento, números de Social Security, carteiras de habilitação, dados bancários e informações usadas para preparar declarações fiscais. A companhia oferece 24 meses de monitoramento Experian IdentityWorks com inscrição até 31 de outubro.


O que ainda não foi confirmado


A EY não divulgou o nome do fornecedor da plataforma de IT service management, nem o número exato de clientes afetados, nem se algum ator de ameaça reivindicou publicamente o incidente. Nenhum grupo de ransomware havia listado a EY em site de vazamento até o fechamento desta matéria. A firma também não informou se dados de clientes fora dos Estados Unidos foram acessados, apesar de a prática de tax services operar de forma integrada entre Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Brasil pelo modelo global de shared service.


A classaction.org e o escritório Edelson Lechtzin já iniciaram investigação para eventual ação coletiva, movimento típico do ciclo pós-notificação nos Estados Unidos e que costuma pressionar o cronograma de disclosure adicional.


O padrão do trimestre nas Big Four


EY é a segunda entre as Big Four a admitir intrusão em julho. A Accenture confirmou em 7 de julho que um ator vendia 35 GB de código-fonte, chaves RSA e SSH, Personal Access Tokens do Azure e chaves de Storage. O padrão nos dois casos é o mesmo: o vetor entra pela camada de fornecedor ou pela superfície de identidade e coloca as consultorias na condição atípica de vítimas, não de responder pela vítima. Para Wendi Whitmore, ex-Unit 42, ouvida pela SecurityWeek em painel semanas atrás, o mercado de suporte terceirizado usado para prestar serviço de auditoria e tax "virou um vetor de risco sistêmico que a governança das próprias auditoras tem dificuldade de mapear".


A analogia com o incidente Snowflake do ano passado, que tirou dados de AT&T e outros clientes, é limitada. Aqui não há evidência pública de credencial reutilizada nem de infostealer. O disclosure público da EY, ao contrário do padrão do último ciclo, veio antes de qualquer publicação em leak site, o que sugere caminho de detecção interna ou por parceiro contratado, e não denúncia externa.


Leitura para além dos Estados Unidos


No Reino Unido, o Information Commissioner's Office ainda não confirmou recebimento de notificação separada, mas os prazos do UK GDPR obrigam comunicação em 72 horas se houve dados de residentes britânicos afetados. A EY UK tem uma das maiores práticas de tax do mercado europeu e opera sobre o mesmo backbone de plataforma que a firma americana.


Na Índia, sede de vários dos Global Delivery Centers da EY, o CERT-In exige notificação em seis horas para incidentes de determinada categoria, prazo mais curto do que qualquer outra jurisdição relevante. Não há indicação pública de que a EY tenha acionado o CERT-In no episódio.


No Brasil, a LGPD obriga comunicação à ANPD e aos titulares em prazo razoável, sem número fechado. A EY Brasil integra a Global Tax Practice que sofreu o vazamento, mas a firma não confirmou até agora se dados de clientes locais foram acessados. Advogados de compliance ouvidos por veículos brasileiros no segundo trimestre têm alertado que o número de comunicações de terceiros a chegar à ANPD deve subir nos próximos meses, à medida que casos como o da EY tornarem público o vetor de shared services.


Para o CIO de qualquer grande auditada, o incidente EY tem consequência prática hoje. Contratos de auditoria e consultoria tributária costumam ter cláusulas de notificação em 24 horas de qualquer intrusão em ambiente do fornecedor que possa expor dados sensíveis. As notificações de julho vão obrigar times legais a exigir prova formal de segregação de plataformas entre firmas Big Four e seus provedores de IT service management, algo que, na maioria dos contratos vigentes, hoje é declarado, não auditado.

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