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Segurança & Risco5 min

Vazamento FortiBleed expõe credenciais de 75 mil firewalls Fortinet em 194 países

Sala de operações de segurança madrugada adentro, com monitores em luz azul mostrando alertas vermelhos sobre dispositivos Fortinet e um mapa-múndi na parede com alfinetes em 194 países.

Pesquisador Bob Diachenko encontrou base com 73.932 dispositivos Fortinet expostos, atingindo Oracle, Siemens, Accenture e PwC. Fortinet nega zero-day, CISA emite alerta.

A base com credenciais para 73.932 firewalls Fortinet espalhados por 194 países começou a circular em 18 de junho, segundo o relato do pesquisador ucraniano Volodymyr "Bob" Diachenko, que identificou o servidor. O conjunto inclui usuários, e-mails e senhas em texto puro de aparelhos FortiGate e gateways VPN, e mais de 21 mil domínios corporativos figuram na lista. Apareceram nomes como Oracle, Chevron, Lenovo, FedEx, Foxconn, Samsung, Comcast, Siemens, DHL, Infosys, PwC, Accenture e um contratado de defesa da Otan.


A campanha, batizada de FortiBleed pelos primeiros relatórios, foi atribuída a um grupo de criminosos de fala russa. Os analistas que tiveram acesso ao material descrevem 1,16 bilhão de tentativas de credenciais contra 320.777 alvos FortiGate, somadas a outros 2,1 bilhões de ataques de força bruta contra 163.650 instâncias Microsoft SQL Server.


A resposta da Fortinet e da CISA


A Fortinet emitiu nota dizendo estar ciente da "campanha de coleta de credenciais por terceiros que mira firewalls e gateways VPN da Fortinet". A empresa atribui o material a "uma reutilização de dados de incidentes anteriores, somada a credenciais obtidas por força bruta", e nega que exista qualquer falha nova no produto. "Até o momento, não encontramos qualquer indício de que a Fortinet tenha sido comprometida ou de que esta atividade esteja ligada a um zero-day", afirmou a empresa em comunicado público.


A Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA), no mesmo 18 de junho, emitiu alerta para que organizações federais e privadas dos EUA reforcem suas instalações Fortinet expostas à internet. O Centro de Coordenação de Cibersegurança de Hong Kong (HKCERT) lançou aviso simultâneo, citando o risco para empresas locais. Mesmo com a Fortinet rejeitando o rótulo de zero-day, a quantidade de credenciais em texto puro funcionando hoje é o que assusta os times de SOC: cada par usuário-senha válido é uma porta aberta enquanto a senha não for trocada.


Por que esse vazamento é diferente


O FortiBleed importa menos pelo método e mais pela escala da mistura entre administração e VPN. Em firewalls de borda, o mesmo conjunto de credenciais pode abrir a console do dispositivo e o túnel que carrega tráfego corporativo. Para uma multinacional com escritórios em dezenas de países, isso converte um único firewall comprometido em ponte para a rede interna inteira. A lista de afetados inclui nomes que rodam operações industriais (Siemens, Foxconn, Samsung), logística (FedEx, DHL) e advisory (Accenture, PwC), em geografias que vão da Coreia do Sul à Alemanha.


A Arctic Wolf, em análise técnica publicada também em 18 de junho, registra que a campanha está "ativa" no sentido de continuar tentando logins, mas que a aquisição dos dados pode datar de meses anteriores, de incidentes diferentes consolidados em um único dossiê. Para a empresa, é mais curadoria do que vazamento novo, contrastando com o framing de "ataque inédito" que circulou em redes sociais.


Leitura para o C-level


Para o CIO de uma multinacional, há três frentes imediatas. A primeira é rodar o IOC publicado pela CISA contra os firewalls da operação, mesmo onde a área de segurança garante que credenciais foram rotacionadas após o vazamento Belsen do ano passado. A segunda é verificar VPN baseada em Fortinet usada por filiais menores, onde MFA pode ainda não estar imposto. A terceira é cobrar do parceiro de serviços gerenciados (Accenture, PwC, Infosys, Capgemini, todos na lista de empresas afetadas como clientes finais ou via clientes deles) o detalhamento do que rodam atrás da borda Fortinet.


O dado que vale acompanhar nas próximas 72 horas é se algum dos nomes citados por Diachenko emite comunicado oficial. Até o fechamento desta matéria, nenhum dos clientes corporativos citados na lista tinha se pronunciado publicamente sobre exposição direta. O silêncio nessas circunstâncias costuma significar avaliação interna em curso, não ausência de impacto.

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