O Mercado de Seguros Cibernéticos em 2026: Após Dois Anos de Queda, Prêmios Devem Subir 15% a 20%
Os prêmios de seguro cibernético caíram 22% em relação ao pico de 2022 e recuaram 6% adicionais em 2025. Em 2024, as apólices globais registraram queda no prêmio total pela primeira vez. Para 2026, as seguradoras projetam reversão com alta de 15% a 20%, pressionadas pela aceleração de ataques a infraestrutura crítica e pela sofisticação crescente das fraudes com IA.
O mercado de seguros cibernéticos viveu dois anos de contra-intuição. Enquanto os ataques aumentavam em sofisticação e volume, os prêmios caíam. Os prêmios de seguro cibernético estão 22% abaixo do pico de 2022 e recuaram 6% adicionais em 2025, com a maioria dos segurados registrando renovações com queda de 2% a 3% no terceiro trimestre. Em 2024, o prêmio bruto direto global de seguros cibernéticos caiu de aproximadamente US$ 7,25 bilhões em 2023 para US$ 7,08 bilhões, a primeira queda na história da categoria.
A explicação para essa aparente anomalia está na estrutura do mercado: mais capitais entraram no segmento durante o boom de prêmios de 2020-2022, aumentando a competição entre seguradoras e pressionando preços para baixo mesmo com sinistros crescendo.
A Reversão de 2026
Os indicadores iniciais de 2026 sinalizam o fim da fase de mercado suave. A WTW projeta aceleração do ritmo de aumento de prêmios, com estimativas de 15% a 20% de alta ao longo do ano. A Gallagher, corretora americana, publicou que o ciclo de hardening está se iniciando, impulsionado pela aceleração de ataques a infraestrutura crítica e pelo impacto crescente de fraudes habilitadas por IA nos sinistros.
O Que Está Mudando nas Apólices
A cobertura não está encolhendo de forma generalizada, mas está se tornando mais seletiva. Seguradoras estão condicionando renovações ao cumprimento de requisitos mínimos de controles técnicos, incluindo autenticação multifatorial obrigatória em todos os sistemas críticos, soluções avançadas de segurança de e-mail, e programas documentados de treinamento de conscientização. Organizações que não conseguem demonstrar esses controles enfrentam exclusões específicas ou aumentos de prêmio acima da média de mercado.
O segmento de infraestrutura crítica, energia, saúde e serviços financeiros, enfrenta as piores condições: algumas seguradoras estão retirando cobertura de ataques patrocinados por estado, um exclusão que cria lacunas significativas para empresas nesses setores.
A Armadilha da Falsa Segurança
O risco mais subestimado não é a ausência de seguro, é a ilusão de cobertura. Organizações que contrataram apólices em 2021 ou 2022 sem revisão subsequente podem descobrir, no momento do sinistro, que mudanças no perfil de risco invalidam a cobertura ou que cláusulas de exclusão recém-adicionadas pelo mercado se aplicam ao seu incidente específico.
Para o CFO e o CISO em conjunto, 2026 exige uma revisão das apólices existentes com foco em três pontos: o que está explicitamente excluído, quais controles a organização precisa demonstrar para manter cobertura válida, e se os limites contratados refletem o custo real de um incidente dado o tamanho atual das operações.