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Google, OpenAI e Anthropic planejam autorregulador, diz site

Segundo o The Information, as três empresas concordaram em criar uma entidade de padrões de segurança sem supervisão do governo dos EUA e sondaram Sriram Krishnan e Arati Prabhakar para o comando.

Lago Shoreline em Mountain View com ciclovia e telhados baixos ao fundo.

Google, OpenAI e Anthropic concordaram em criar uma entidade própria para definir padrões de segurança de modelos de fronteira, provisoriamente chamada Standards Authority for Frontier AI, segundo reportagem do site The Information publicada na quinta-feira (24). A entidade poderia começar a operar no fim deste ano ou no início de 2027, e funcionaria sem supervisão do governo americano.

Nenhuma das três empresas havia confirmado publicamente o plano até o fechamento desta matéria.

Quem foi sondado para comandar

De acordo com a reportagem, as três empresas procuraram nomes de perfis opostos para a direção. Sriram Krishnan, que foi conselheiro de IA da Casa Branca no governo Trump até junho de 2026, e Arati Prabhakar, que chefiou a política de ciência e tecnologia no governo Biden, teriam sido considerados para o posto de CEO. Para a presidência do conselho, a lista incluiria Condoleezza Rice, secretária de Estado de George W. Bush, e o investidor David Friedberg.

O escopo descrito é operacional: apoiar organizações independentes que testam modelos antes do lançamento, definir como os desenvolvedores devem reportar incidentes de segurança, consolidar os compromissos voluntários das empresas e estabelecer qualificações para auditores independentes de modelos e de laboratórios.

De FINRA supervisionada a clube sem regulador

A ideia tem origem conhecida. Em ensaio publicado em 14 de julho, Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, propôs um órgão de padrões financiado pela indústria nos moldes da FINRA, a autorreguladora das corretoras americanas, com supervisão federal. Representantes das três empresas formaram um grupo de trabalho em seguida e se reuniram ao longo do verão, segundo a reportagem.

A supervisão federal caiu no caminho. O Wall Street Journal publicou em 16 de setembro que Mark Zuckerberg, Elon Musk e Jensen Huang conversaram separadamente com Donald Trump no mês anterior e o convenceram a abandonar o modelo com participação do governo. O que sobra agora é uma versão sem o regulador: as empresas escrevem as regras, custeiam a entidade e escolhem quem a comanda.

A objeção mais óbvia já apareceu. Críticos citados na cobertura dizem que o órgão pode ser usado pelas três para fechar espaço a desenvolvedores de modelos abertos e a concorrentes menores, que teriam de seguir padrões definidos pelos líderes do mercado. A defesa do modelo é que a FINRA funciona há décadas justamente porque quem conhece o produto escreve a regra técnica, e que um padrão comum de testes é melhor que nenhum.

O contraste com Nova York, Bruxelas e Pequim

A notícia saiu um dia depois de Sam Altman e Dario Amodei discursarem no Conselho de Segurança da ONU, na quarta-feira (23). Altman defendeu que países desenvolvam padrões comuns para testar o que os modelos fazem e se as salvaguardas funcionam. Amodei propôs acordos globais estreitos, como a proibição do uso de IA para armas biológicas, sistemas de verificação entre países e um mecanismo de notificação de incidentes. Nos Estados Unidos, a resposta prática a esse discurso é uma entidade privada.

Na União Europeia, o caminho é outro. O AI Act já impõe obrigações aos fornecedores de modelos de propósito geral desde agosto de 2025, com supervisão do AI Office da Comissão Europeia. Um padrão privado americano não substitui essas obrigações, mas pode virar a referência técnica que as empresas levam a Bruxelas para demonstrar conformidade.

Na China, a Administração do Ciberespaço (CAC) opera o sentido inverso, com registro prévio de algoritmos junto ao Estado e campanhas periódicas de fiscalização de aplicações de IA ao longo de 2026. O resultado é que, para um mesmo modelo, os testes de segurança passam a ter três árbitros distintos, com lógicas incompatíveis.

O que isso muda para quem compra IA

Para CIOs e CISOs, a consequência imediata é contratual. Se a entidade sair do papel, os relatórios de testes pré-lançamento e as notificações de incidentes que ela padronizar vão virar anexo de contrato e item de questionário de fornecedor, como aconteceu com certificações SOC 2 em nuvem. Quem compra modelos da Meta, da xAI, da Mistral ou de laboratórios chineses vai querer saber por que esses fornecedores não aderem.

Esse é o ponto que falta resolver. Meta, xAI e Nvidia, cujos líderes derrubaram a versão com supervisão federal, não estão entre os fundadores descritos. Um padrão de segurança que cobre três laboratórios e deixa de fora um dos maiores desenvolvedores de modelos abertos dos EUA mede a conduta de quem aderiu, não a do mercado.

Fontes

  1. theinformation.comhttps://www.theinformation.com/articles/google-openai-anthropic-ai-safety-group-takes-shape
  2. bankinfosecurity.comhttps://www.bankinfosecurity.com/google-openai-anthropic-plan-frontier-ai-standards-body-a-32926
  3. yahoo.comhttps://www.yahoo.com/news/politics/articles/google-openai-anthropic-move-closer-154300474.html
  4. thestreet.comhttps://www.thestreet.com/technology/zuckerberg-musk-huang-ai-regulator
  5. cnn.comhttps://www.cnn.com/2026/09/23/tech/altman-amodei-ai-safety-un-security-council

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