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Anthropic negocia chip próprio com Samsung e ataca oligopólio da Nvidia

Engenheira de processo em traje de sala limpa ergue um wafer de silício sob a luz amarela de equipamentos de litografia em uma fundição da Samsung à noite, com corredor iluminado em azul ao fundo.

The Information e Bloomberg revelaram em 2 de julho que a Anthropic quer usar o processo de 2 nanômetros da Samsung para desenhar seu primeiro silício autoral. Fim do trio de laboratórios sem chip próprio.

O pedido feito à Samsung


O The Information revelou nesta quinta-feira que a Anthropic conversa com a Samsung Electronics para fabricar seu primeiro chip de inteligência artificial próprio, informação confirmada em seguida pela Bloomberg e por veículos coreanos como Korea Herald. O alvo é o processo de 2 nanômetros da fundição sul-coreana, mesmo nó em que a Samsung tenta ganhar terreno depois de perder para a TSMC boa parte da corrida dos 3 nm.


A companhia americana afirmou ao TechCrunch que "um stack diversificado de hardware, incluindo chips do Google, da Amazon e da Nvidia, seguirá central para nossa estratégia de compute". O comunicado admite o projeto sem confirmá-lo. Segundo o The Information, a Anthropic ainda decide o que o chip deve fazer, quão potente será e como se encaixará no rack. Pode nem sair do papel.


Um sinal mais concreto: contratações


O ceticismo natural sobre chips que ainda não têm folha de dados encontra um dado factual: em junho a Anthropic contratou Clive Chan, engenheiro que participou do time de silício autoral da OpenAI. Contratação desse tipo custa caro e raramente sinaliza curiosidade. A Samsung já havia entrado no capital da Anthropic na Série H de US$ 65 bilhões, fechada em 28 de maio ao valuation de US$ 965 bilhões, junto com SK Hynix e Micron, as três únicas fabricantes de memória HBM do planeta.


A leitura para o CIO e o CFO das grandes contratantes de compute é dupla. Do lado do software, os três laboratórios de fronteira agora perseguem silício próprio: a OpenAI apresentou em junho o Jalapeño, chip de inferência co-desenhado com a Broadcom, e o Google usa TPU há uma década. Do lado do hardware, a Nvidia, com 74% do mercado de chips de IA segundo estimativas de analistas de Wall Street, começa a ver seus maiores clientes projetarem alternativas em paralelo. Não é abandono. É pressão negocial e roadmap de segundo fornecedor.


Coreia do Sul e Japão no funil da memória


A dependência de HBM ficou explícita quando Samsung, SK Hynix e Micron apareceram simultaneamente no cap table da Anthropic pela primeira vez na história do setor. As três fabricantes já venderam toda a capacidade de 2026 e o desequilíbrio entre oferta e demanda de HBM, segundo estimativas coreanas citadas por Korea Herald, fica entre 20% e 50% até 2028. Investir na Anthropic é comprar preview do que o cliente vai pedir daqui a dois ciclos.


Para a Samsung, o eventual contrato de foundry cumpre uma segunda função. A companhia negociou com a OpenAI um chip de inferência baseado em ARM até início de junho, quando a conversa esfriou por, segundo a imprensa coreana, "divergências estratégicas". Um acordo com a Anthropic recolocaria a divisão de fundição sul-coreana no jogo de silício de fronteira em pé de igualdade com a TSMC, que hoje domina o high-end. Em Tóquio, a leitura interessa aos hyperscalers japoneses como SoftBank e KDDI, que compram HBM da Micron e da SK Hynix e já enfrentam alocações menores nesta janela de dois anos de estrangulamento. Cada chip que a Anthropic tirar da TSMC é capacidade que sobra para o cliente de HBM que não é frontier lab.


O que enfraquece a tese


A visão contrária tem nome. Analistas da Bernstein e do Morgan Stanley lembram há trimestres que projetos de silício autoral costumam levar de 24 a 36 meses do primeiro tape-out até produção em escala, e que o custo unitário de um chip de fronteira só compensa em volumes que hoje só workloads como o Google Search viabilizam. A Anthropic pode chegar lá se a família Claude Sonnet 5 e a linha Mythos mantiverem a curva de tokens diários, mas não há garantia. É plausível que a conversa com a Samsung siga o destino do acordo OpenAI-Samsung: prospecção que não vira contrato.


O ponto que a leitura da Anthropic não muda: o hyperscaler comprador de GPU em 2026 não está mais confortável apenas comprando GPU. A Amazon lançou Trainium 3 em maio e reserva metade do próprio compute interno de treinamento para o silício próprio, o Google escalou TPU v7 e cobra premium de latência em Vertex AI, a Meta desenvolve MTIA para inferência de recomendação. Até esta semana, a Anthropic era o único dos grandes laboratórios independentes sem projeto autoral conhecido. Deixou de ser.

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