KPMG estende Copilot a 276 mil funcionários e adota Agent 365 da Microsoft como camada de governança

Big 4 amplia parceria global com a Microsoft, leva Copilot a toda a força de trabalho e adota Agent 365 para governar agentes de IA em mais de 140 países, dois anos depois do piloto inicial.
A KPMG anunciou nesta terça (9), em conjunto com a Microsoft, a expansão de sua aliança global com a Redmond para levar o Microsoft 365 Copilot aos 276 mil profissionais da firma em mais de 140 países e adotar o Agent 365 como camada de governança sobre agentes de IA dentro do KPMG Trusted AI framework. O movimento fecha o ciclo que começou há dois anos com a implantação inicial do Copilot e marca a primeira das Big 4 a comprometer a totalidade da força de trabalho ao stack agêntico da Microsoft.
O Agent 365, que a Microsoft tornou geralmente disponível em 1 de maio, atua como diretório de identidade, controle de acesso e telemetria para agentes que rodam dentro e fora do ambiente Microsoft 365. A KPMG vai usá-lo para inventariar agentes em uso por clientes, aplicar políticas de risco e gerar trilha de auditoria, item que vem ganhando peso depois que reguladores na União Europeia, no Reino Unido e em Cingapura começaram a exigir documentação de cadeia de raciocínio em sistemas de IA aplicados a auditoria financeira.
Por que agora
A pressão vem de dentro. A KPMG cortou em abril cerca de 100 partners de auditoria nos Estados Unidos, 10% da base de sócios da divisão, depois de campanhas de aposentadoria voluntária não atingirem a meta de redução. A justificativa formal foi "alinhar tamanho, formato e habilidades do time à força da plataforma de auditoria", linguagem corporativa para o reconhecimento de que ferramentas automatizadas comprimiram a demanda por times grandes de juniores e, por consequência, o fluxo de trabalho para os senior partners.
A Microsoft Agent 365 entra justamente na lacuna que essa compressão abre. Sem juniores fazendo o trabalho de coleta, normalização e checagem cruzada que sustentava o modelo de horas faturadas, a firma precisa de uma infraestrutura que mostre ao cliente, ao regulador e ao próprio comitê de auditoria que o trabalho de fato aconteceu. "As capacidades vão ajudar a KPMG e seus clientes a sair dos pilotos de IA e entrar no deployment organizacional com segurança e governança embutidas", afirmou o comunicado conjunto. Dentro da auditoria, a integração se materializa no KPMG Clara, plataforma global de smart audit da firma.
Leitura comparativa: a corrida das Big 4
O movimento da KPMG redefine a régua. A Accenture, em comunicado de 8 de junho com o Software Engineering Institute da Carnegie Mellon, lançou o AI Adoption Maturity Model, framework para clientes acelerarem a transição de pilotos para escala, e a firma já reporta 80 mil assentos de Copilot implantados em 2025 e 40 mil "AI navigators" treinados. A Infosys completou em janeiro o rollout para 115 mil funcionários, a TCS ativou 105 mil licenças em centros de delivery em Chennai, Mumbai e Pune, e a Wipro chegou a 102 mil assentos, somando mais de 300 mil seats apenas entre as três indianas.
O contraste de escala é instrutivo. A KPMG, com 276 mil profissionais sob Copilot, salta para a primeira posição agregada entre firmas globais por número absoluto de assentos. Para a Deloitte, a EY e a PwC, todas as três com força de trabalho global acima de 380 mil pessoas, a barra acabou de subir: não basta ter contrato com uma fabricante de modelo, é preciso operar IA em escala documentada, com governança auditável.
A leitura no delivery offshore aponta na mesma direção. Os centros de aceleração da PwC na Índia, os Global Capability Centers da Deloitte nas Filipinas e a base de quase 200 mil profissionais da EY na Índia operam exatamente o tipo de tarefa estruturada que o Copilot e o Agent 365 capturam primeiro: reconciliações, papel de trabalho, leitura de contrato, sumarização de evidência. Para o Brasil, onde a operação local da KPMG soma cerca de 4 mil profissionais e atende grandes auditorias com peso de bancos como Itaú e Bradesco, a chegada do Agent 365 padroniza a régua técnica, mas não muda a equação trabalhista local: o sócio brasileiro ainda fatura pelo modelo de hora-aplicada, e o cliente brasileiro ainda compra parecer assinado por humano.
O que muda agora é o que a KPMG comunica ao mercado quando perde um mandato de auditoria para uma concorrente. Em 2025, o argumento perdedor era "falta de proximidade com o cliente". A partir desta semana, será "falta de plataforma".