Oracle levará TPUs do Google à OCI em 2027 e amplia oferta Nvidia
No Oracle AI World, a Oracle disse que será a primeira hiperescala fora do Google a vender TPUs, a partir de 2027, e liberou o Vera Rubin da Nvidia. Cerebras chega no mesmo ano. Faltam valores e regiões.

A Oracle anunciou nesta terça-feira (27), durante o Oracle AI World, em Las Vegas, que vai oferecer as TPUs do Google na Oracle Cloud Infrastructure (OCI) a partir de 2027. Segundo o comunicado conjunto, a OCI será a primeira nuvem de hiperescala fora do próprio Google a vender acesso aos aceleradores. No mesmo palco, a empresa declarou disponíveis comercialmente os sistemas Nvidia Vera Rubin NVL72 e as CPUs Vera, e disse que vai escalar seus superclusters com essa geração até a casa dos múltiplos gigawatts.
O terceiro nome da lista foi a Cerebras. A Oracle informou que a tecnologia de inferência da fabricante chegará à OCI também em 2027. Em uma única tarde, uma das maiores compradoras de sistemas Nvidia passou a prometer três arquiteturas de IA concorrentes no mesmo catálogo.
O que entra no catálogo
Segundo o anúncio, o Google vai disponibilizar na OCI a oitava geração de suas TPUs, dividida em dois chips: o TPU 8t, voltado a treinamento, e o TPU 8i, voltado a inferência. A Oracle fornece energia, refrigeração e a rede do datacenter. A disponibilidade começa no ano-calendário de 2027 e cresce ao longo de vários anos, de acordo com o texto divulgado pelas duas empresas.
Mahesh Thiagarajan, presidente da OCI, defendeu no comunicado a ideia de dar ao cliente acesso a várias arquiteturas líderes dentro de uma mesma nuvem. Amin Vahdat, vice-presidente sênior e tecnólogo-chefe de IA e infraestrutura do Google, disse que o acordo amplia o número de organizações com acesso às TPUs.
Do lado da Nvidia, a Oracle afirma em seu blog técnico que o Vera Rubin entrega até 30 vezes mais vazão de inferência por watt e quatro vezes o desempenho de treinamento da geração Blackwell. São números do fornecedor, sem medição independente publicada. A OpenAI aparece entre os primeiros clientes com acesso às CPUs Vera na OCI, segundo o comunicado da Nvidia e da Oracle.
Nenhum dos anúncios trouxe valor de contrato, volume de capacidade em megawatts por fornecedor ou forma de financiamento.
Por que a Oracle abre a porta para rivais da Nvidia
A leitura da Reuters, replicada por agências, foi direta: a Oracle amplia o acordo com a Nvidia e, ao mesmo tempo, diversifica com concorrentes. Para o Google, a operação tem lógica própria. Até agora, quem queria TPU precisava contratar o Google Cloud. Em outubro de 2025, a Anthropic anunciou um acordo para usar até 1 milhão de TPUs dentro da nuvem do Google. A partir de 2027, a mesma família de chips passa a ser vendida dentro de uma nuvem que compete com o Google Cloud por contas corporativas.
O argumento contrário merece peso. Para a Nvidia, a Oracle continua sendo um dos maiores compradores de Vera Rubin, e o anúncio de escala multigigawatt é exatamente o tipo de compromisso que sustenta a carteira da fabricante. TPU e Cerebras só chegam em 2027, enquanto o Vera Rubin já está disponível. Quem vê no anúncio o fim da dependência da Nvidia ignora o calendário. Quem trata a diversificação como cosmética ignora que a Oracle aceitou hospedar o chip de um concorrente direto na nuvem.
A distinção que importa para o comprador corporativo está em outro eixo. Treinar modelos de fronteira continua concentrado em poucos laboratórios. Rodar inferência em escala, que é onde vive o orçamento de IA de bancos, seguradoras e varejistas, é o mercado em que preço por token e consumo de energia pesam mais do que fidelidade a uma arquitetura. TPU 8i e Cerebras foram anunciados justamente para inferência.
Onde a escolha de chip chega ao cliente
Nos Estados Unidos, o efeito mais imediato está nos contratos de grandes laboratórios. Com a OpenAI já como cliente das CPUs Vera, a OCI passa a disputar cargas que hoje dividem espaço entre Azure, Google Cloud e AWS, agora com a possibilidade de misturar arquiteturas sem trocar de provedor.
Fora dos EUA, a pergunta para CIOs é geográfica. A Oracle opera regiões de nuvem em São Paulo e Vinhedo, no Brasil, e em Mumbai e Hyderabad, na Índia. Os comunicados de terça-feira não informam em quais regiões as TPUs, os sistemas Cerebras ou os superclusters Vera Rubin serão instalados. Para um banco brasileiro sujeito às regras do Banco Central para contratação de nuvem, ou para um integrador indiano que entrega projetos de IA a clientes americanos a partir de Bangalore, a diferença entre uma TPU em Ohio e uma TPU em São Paulo é a diferença entre um piloto e uma produção regulada.
Enquanto a Oracle não detalhar a distribuição geográfica, o anúncio amplia o cardápio de chips sem dizer em que mesa ele será servido. Para quem negocia contratos de nuvem de vários anos, essa é a cláusula a pedir antes de 2027.
Fontes
- oracle.comhttps://www.oracle.com/news/announcement/ai-world-nvidia-and-oracle-expand-nvidia-vera-rubin-to-multi-gigawatt-scale-2026-10-27/
- cloud.google.comhttps://cloud.google.com/blog/products/infrastructure/bringing-google-tpus-to-oracle-cloud-infrastructure
- blogs.oracle.comhttps://blogs.oracle.com/cloud-infrastructure/nvidia-vera-rubin-vera-cpus-oci
- datacenterdynamics.comhttps://www.datacenterdynamics.com/en/news/nvidia-vera-rubin-and-vera-cpus-now-generally-available-on-oracle/
- techwireasia.comhttps://techwireasia.com/2026/10/oracle-ai-chips-google-nvidia-cerebras/