Jabil eleva receita de IA para US$ 13,6 bi e confirma terceiro hyperscaler no portfólio

EMS reportou Q3 com receita de US$ 8,8 bi (+12% a/a) e elevou guidance anual de IA em US$ 500 milhões. CEO Mike Dastoor confirmou terceiro contrato com hyperscaler e oportunidade multi-gigawatt com a Adani.
A Jabil divulgou nesta quarta-feira (17) o resultado do terceiro trimestre fiscal de 2026 com receita de US$ 8,8 bilhões, alta de 12% sobre o mesmo período do ano anterior, e elevou pela segunda vez no ano o guidance de receita anual ligada a inteligência artificial. A montadora de eletrônicos sob contrato passou a esperar US$ 13,6 bilhões em receita relacionada a IA no ano fiscal de 2026, US$ 500 milhões acima da projeção de março e crescimento de cerca de 50% sobre os US$ 9 bilhões reportados em 2025. A ação saltou aproximadamente 14% no pré-mercado em Nova York.
O lucro por ação ajustado ficou em US$ 3,16 no trimestre, contra um lucro GAAP por ação de US$ 2,59. "Entregamos um terceiro trimestre muito forte, com resultados acima da nossa expectativa em receita, margem operacional core, EPS core e geração de caixa livre", disse Mike Dastoor, CEO da Jabil. Sobre a demanda de IA, ele acrescentou: "a demanda por infraestrutura de IA permanece extremamente forte, e nossa projeção anual de receita relacionada a IA agora está significativamente mais alta".
O terceiro hyperscaler
O ponto novo da call foi a confirmação do que Dastoor chamou de "terceiro hyperscaler" no portfólio, sem nomear a empresa. O contrato cobre a área de infraestrutura de data center, o mesmo perímetro do segundo cliente já anunciado em ciclos anteriores. A Jabil estima receita inicial de "algumas centenas de milhões de dólares" no ano fiscal de 2027 e potencial de superar US$ 1 bilhão a partir de 2028, à medida que a capacidade ramp up. Em um setor em que três compradores (Microsoft, Meta e AWS) explicam a maior parte do capex global em servidores de IA, ganhar o terceiro cliente significa, na prática, ter conquistado a maioria do book disponível.
O efeito no balanço é estrutural. Em 2025, a IA respondia por cerca de 30% da receita da Jabil. Com a nova projeção, em 2026 a fatia ultrapassa 38%, num grupo cuja base histórica é manufatura para automotivo, saúde e bens de consumo. A guidance anual completa subiu para US$ 35 bilhões em receita, com margem operacional core de 5,8% e EPS core diluído de US$ 12,70.
A frente indiana com Adani
Dastoor confirmou ainda que a parceria com a Adani Enterprises, anunciada em maio, tem como horizonte fabricação multi-gigawatt de infraestrutura de IA na Índia, com receita material esperada apenas para o ano fiscal de 2028. O CEO disse que o gargalo principal hoje é construção da capacidade física: "Estamos limitados pela velocidade de building out, não pela demanda". O movimento alinha a Jabil com o esforço de Nova Délhi para atrair manufatura de eletrônicos sob a política de incentivos PLI e responde, simultaneamente, à pressão de hyperscaler americanos por diversificar produção fora da China.
Para o leitor que acompanha a indústria de IT services, o sinal é importante. A Jabil divide com a Foxconn, a Flex e a Sanmina o oligopólio global de EMS top-tier, e foi a primeira do grupo a separar a linha "AI-related revenue" em sua reportagem oficial. Nos EUA, a leitura imediata é de validação do tese de margem para players de capex de IA. Em Taiwan, onde a Foxconn já anunciou planos de fabricar servidores Nvidia GB200 em Wisconsin, o movimento da Jabil aumenta a pressão por exclusividade de contratos com hyperscalers.
A leitura para fora da chamada de resultados
Na Índia, o acordo com a Adani é o terceiro grande projeto anunciado em manufatura de IA nos últimos doze meses, depois da fábrica da Tata para componentes Apple e da expansão da Foxconn em Bengaluru. A base local de talento em engenharia de hardware ainda é rasa, e a Jabil terá de importar engenheiros sêniores de Penang e do México durante o ramp up. Para o Brasil, que tem operações da Jabil em Manaus desde 2002 voltadas a redes e healthcare, o foco em IA não traz, no curto prazo, transferência relevante de capacidade. A última expansão local da empresa, em 2024, foi para linha de eletrodomésticos.
O que o resultado deixa claro é que o capex em IA não está parando, ao contrário do que projetavam analistas em dezembro de 2025 quando a Nvidia reportou primeira desaceleração de margens. Em vez disso, está se espalhando para o tier de fornecedores de manufatura. A próxima leitura virá em julho, quando Foxconn e Flex reportam, e os investidores vão comparar quantos hyperscalers cada um carrega no portfólio.