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Nuvem da Oracle salta 121%, RPO chega a US$ 664 bi e guia FY27 em US$ 90 bi

Corredor de data center da Oracle iluminado por LEDs verdes de racks de GPU, com um engenheiro solitário caminhando entre servidores.

A Oracle bateu US$ 19,3 bilhões de receita no Q1 do ano fiscal 2027, com infraestrutura de nuvem crescendo 121%. Guidance de US$ 90 bi para o ano e RPO de US$ 664 bi transformam a companhia em cabo de força da corrida por GPUs.

A Oracle fechou o primeiro trimestre do ano fiscal 2027 com receita de US$ 19,3 bilhões, alta de 30% em base anual e cerca de US$ 200 milhões acima do consenso do LSEG, e ampliou o backlog de contratos até US$ 664 bilhões, um dos maiores estoques já registrados por qualquer companhia de tecnologia. Foi essa combinação que a companhia usou para elevar o guidance anual: a receita total deve alcançar pelo menos US$ 90 bilhões no ano fiscal 2027, o equivalente a 34% de expansão em moeda constante, com lucro por ação ajustado projetado em US$ 8,10.


O motor foi a Oracle Cloud Infrastructure. A OCI cresceu 121% no trimestre e chegou a US$ 7,4 bilhões, com a nuvem total (aplicativos e infraestrutura) subindo 62% para US$ 11,6 bilhões. A Oracle informou ter entregue 850 megawatts de capacidade de IA no período, com mais de 300 mil GPUs Nvidia ativas e taxa de utilização de 97,9%. Os co-CEOs Clay Magouyrk e Mike Sicilia, que assumiram em setembro de 2025 depois da promoção de Safra Catz a Vice-Presidente Executiva do conselho, anunciaram mais de US$ 30 bilhões em novos contratos de nuvem para IA firmados só no trimestre.


O preço da corrida


O release não esconde o custo. O capex chegou a US$ 28,5 bilhões no trimestre e o fluxo de caixa livre entrou em terreno negativo, em US$ 5,4 bilhões. É a segunda vez em quatro trimestres que a Oracle queima caixa para financiar a expansão de data centers. Analistas que acompanham o Stargate, o projeto conjunto com a OpenAI que vale US$ 300 bilhões em compromisso de compra ao longo de cinco anos, apontam que os prazos de pagamento estão descolados do investimento imediato em silício e imóveis. A CFO Hilary Maxson afirmou na chamada que a companhia manterá capex superior à depreciação por vários trimestres.


O contra-argumento vem da própria fila de contratos. O RPO de US$ 664 bilhões cresceu US$ 26 bilhões em três meses e inclui compromissos com OpenAI, xAI, Meta, Nvidia e AMD, além de um contrato de até US$ 7 bilhões em dez anos com o Pentágono anunciado no trimestre. É demanda quase toda dolarizada e concentrada em cliente hyperscaler, mas a receita só converte à medida que a energia entra em operação nos campi de Abilene, no Texas, e nos novos sites contratados no Reino Unido e na Alemanha.


Como a expansão pousa fora dos Estados Unidos


Nos Estados Unidos, a Oracle vira efetivamente uma segunda opção para quem quer treinar modelos e não cabe mais na AWS. No Reino Unido, os data centers previstos no acordo Stargate UK anunciado em julho passam a puxar demanda por engenheiros de sistemas e integradores; a Capgemini e a Accenture já disseram na temporada de balanços que a OCI é a plataforma de crescimento mais rápido em suas práticas de nuvem europeias. Na Índia, onde a Oracle mantém cerca de 40 mil funcionários entre desenvolvimento e delivery, o crescimento da OCI empurra contratação em Hyderabad e Bangalore no mesmo movimento em que a TCS e a Infosys reduzem headcount em BPO tradicional.


O ponto que os analistas ignoram é a distância entre o backlog e a receita reconhecida. Safra Catz projetou em setembro de 2025 que o RPO cruzaria meio trilhão de dólares em poucos meses; ele cruzou US$ 638 bilhões em Q4 e agora US$ 664 bilhões em Q1. Só que a conversão exige energia e chips que a Nvidia ainda não consegue entregar em ritmo compatível. Se algum contrato do Stargate atrasar a fase de deployment, o efeito no P&L de 2028 pode ser maior do que o mercado projeta hoje. A Oracle tem o pedido; falta ligar a tomada.


A companhia também começou a diversificar clientes fora do polo americano. Contratos com a NTT no Japão e com a MTN na África do Sul, mencionados na apresentação de resultados, apontam para uma segunda fase em que a OCI compete não com AWS e Azure, mas com Alibaba Cloud e Huawei Cloud em mercados que evitaram o hyperscaler ocidental. É um dos poucos casos em que uma companhia tradicional de banco de dados vira infraestrutura crítica para governos que buscam soberania de nuvem, um flanco que a AWS ainda não abriu.

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