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Oracle fecha FY26 com cloud crescendo 47% e backlog de US$ 638 bilhões em contratos de IA

Construção noturna de um data center em larga escala com guindastes silhuetados e galpões iluminados por holofotes alaranjados.

Receita trimestral de US$ 19,2 bilhões e Oracle Cloud Infrastructure crescendo 93% no Q4 colocam a empresa na frente do crescimento entre os hyperscalers. RPO subiu US$ 85 bilhões em três meses.

A Oracle entregou o maior trimestre da sua história em 10 de junho. Receita Q4 de US$ 19,2 bilhões, alta de 21% sobre o mesmo período do ano anterior. Receita de cloud chegou a US$ 9,9 bilhões, salto de 47%. A linha que sustenta a história, Oracle Cloud Infrastructure (OCI), fechou o trimestre em US$ 5,8 bilhões, crescimento de 93% ano contra ano, segundo o release oficial publicado em oracle.com.


O dado que reposicionou a tese de hyperscaler na noite de terça foi outro. As Remaining Performance Obligations, a fila de contratos contratados e ainda não reconhecidos como receita, subiram US$ 85 bilhões no trimestre. Saíram de US$ 553 bilhões em fevereiro para US$ 638 bilhões no fechamento do ano fiscal, segundo o investor relations da empresa. A administração informou que US$ 75 bilhões desse incremento vêm de contratos de IA de larga escala em que o cliente prepagou GPUs ou as forneceu diretamente para uso na infraestrutura da Oracle.


A geometria do backlog


A fronteira entre carteira contratada e capex executável virou a história da Oracle. A empresa levantou US$ 43 bilhões em dívida e US$ 5 bilhões em equity no ano fiscal de 2026 para financiar a expansão de data centers que serve esse backlog, segundo o release. Para o ano fiscal de 2027, Safra Catz, CEO, sinalizou intenção de levantar cerca de US$ 40 bilhões adicionais em uma combinação de dívida e equity.


"Nossos investimentos estratégicos em cloud e IA estão gerando retornos significativos, posicionando a Oracle como líder do setor", afirmou Catz no comunicado de resultados. A frase soa institucional, mas o que ela traduz é específico. O backlog de US$ 638 bilhões precisa ser convertido em receita em um horizonte multi-ano com margem operacional defendida. A Oracle hoje tem mais receita contratada futura do que vai produzir nos próximos cinco anos somados, e a conversão dessa fila depende de capacidade física de servidores e energia, não de demanda.


OCI cresce mais que a média do setor


OCI cresceu 93% no Q4 e fechou FY26 em US$ 18,1 bilhões, alta de 77% no ano. Para comparação, a AWS reportou crescimento de 17% em seu último trimestre, Microsoft Azure ficou em torno de 33% e Google Cloud em 35%, segundo os releases mais recentes das três empresas. A Oracle, por base menor, captura a margem do segundo movimento: clientes de IA que precisam de capacidade rápida e estão dispostos a assinar contratos de longa duração com GPUs dedicadas.


O componente SaaS, Cloud Applications, fechou Q4 em US$ 4,1 bilhões, crescimento de 10%. O FY26 total das Apps somou US$ 15,9 bilhões, alta de 11%. NetSuite, Fusion ERP e HCM seguem firmes, mas o vetor que move o múltiplo agora é OCI. O pipeline de migração de cargas SAP para OCI ganhou tração ao longo do ano, segundo registros públicos da Oracle nos eventos OpenWorld e CloudWorld.


Onde o backlog encosta no mundo real


Para CIOs e partners das Big 4 que vendem implementação Oracle, a leitura prática tem dois lados. Em mercados anglo-saxões, os Estados Unidos e o Reino Unido absorvem a maior parte do capex anunciado, com data centers planejados em Texas, Virginia e Inglaterra. A massa de GPUs Nvidia que esses contratos exigem mantém a relação Oracle-Nvidia central para a tese de longo prazo, e expõe a Oracle ao risco de supply chain do mesmo fornecedor que abastece Microsoft, Google e Meta.


Na Europa continental, o desafio é diferente. Alemanha e França, com regulação de soberania de dados mais agressiva sob o EU AI Act e o DORA, demandam OCI Sovereign regions e estão entre as próximas expansões anunciadas. Na América Latina, a Oracle opera regions em São Paulo e Vinhedo, e o crescimento da carteira local depende de bancos privados e governo estadual. O acordo Oracle-OpenAI anunciado em 10 de junho, que permite aos clientes da Oracle aplicar Universal Credits para acessar modelos da OpenAI e o Codex via OCI, abre vetor adicional para instituições financeiras europeias e brasileiras que já têm comprometimento com Oracle e querem testar OpenAI sem novo processo de procurement.


A tese de Larry Ellison nas últimas calls foi previsível: a Oracle vai construir mais cloud data centers do que todos os concorrentes somados. O Q4 não confirma a tese, mas redefine a métrica pela qual ela será julgada. Se o backlog vira receita conforme o calendário contratado e a margem operacional não recua, o re-rating do papel sobre Microsoft e Google é defensável. Se a conversão atrasa por capacidade física, o desconto sobre os pares volta. A história dos próximos 18 meses não é de demanda, é de execução.

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