Samsung reporta lucro operacional recorde de US$ 58,4 bilhões no 2T e supera Nvidia com boom de HBM

Coreana reportou 89,4 trilhões de wons de lucro preliminar no segundo trimestre, alta de 1.810% em base anual, empurrada pela demanda por memória HBM em servidores de IA.
A Samsung Electronics divulgou nesta terça-feira, 7 de julho, resultados preliminares do segundo trimestre que reordenam a hierarquia da indústria global de tecnologia. A companhia reportou 171 trilhões de wons em receita e 89,4 trilhões de wons em lucro operacional, cerca de US$ 58,4 bilhões, o maior lucro operacional trimestral já registrado por uma empresa de tecnologia. A alta foi de 129,3% na receita e de 1.810,3% no lucro operacional em base anual, um patamar que superou por larga margem o consenso de analistas, que trabalhava com estimativas ao redor de 86 trilhões de wons.
O número desloca Nvidia e Apple do topo da lista trimestral e chega no dia em que a SK Hynix lançou a fase de marketing formal de sua oferta de ADRs na Nasdaq, com meta de captação de US$ 28,21 bilhões, segundo comunicado ao mercado. Executivos coreanos vinham sinalizando essa curva desde o início do ano, mas o resultado agora publicado torna concreto o que era projeção: a memória de alta largura de banda, a HBM, virou o produto mais rentável do ciclo atual de infraestrutura de IA.
O que sustenta o número
A Samsung não abriu a distribuição por divisão nesta prévia. O detalhamento sai em 30 de julho. As pistas, porém, foram dadas pela própria companhia e por sua comparável direta. O CFO Kim Yong-kwan afirmou, segundo o comunicado, que o lucro de 2026 pode ultrapassar o total gerado pela divisão de semicondutores nos 40 anos anteriores. O consenso de bancos coreanos aponta lucro operacional de aproximadamente 300 trilhões de wons no ano cheio, algo próximo de US$ 200 bilhões, com HBM, servidores de IA e a divisão de foundry como principais motores. A companhia sinalizou ainda que a provisão para bônus de desempenho, negociada com o sindicato, deve consumir entre 15 e 20 trilhões de wons, o que sugere lucro subjacente acima da barreira dos 100 trilhões de wons.
A linha de HBM3E e HBM4 é o pivô da leitura. A Samsung levou anos para qualificar sua HBM em servidores de treinamento da Nvidia, um atraso que abriu espaço para a SK Hynix. A recuperação de share e as encomendas subsequentes de Microsoft, Amazon e Meta explicam a virada. Broadcom, cuja ação subiu quase 4% no pré-mercado nesta segunda após anunciar a extensão da parceria de chips customizados com a Apple até 2031, é outro elo que a Samsung fornece via foundry e memória.
Um trimestre que reprecifica riscos
O resultado corta contra a narrativa de "pico da IA" que voltou a ganhar tração em fóruns de investidores após o relatório da SemiAnalysis, na segunda-feira, apontar atraso de mais de doze meses na próxima plataforma de rack da Nvidia, a Kyber. A Nvidia negou o atraso e afirmou que o roteiro segue intacto, mas as ações asiáticas de PCB tiveram queda no dia. Para a Samsung, o efeito da controvérsia é ambíguo: qualquer diferimento no calendário do rack Kyber reduz o pico de encomendas de HBM em 2027, mas mantém a Rubin, ainda mais dependente da memória de próxima geração, no roteiro comercial de curto prazo.
Há também o contraponto que analistas do lado cético insistem em manter em campo. Morgan Stanley e JPMorgan já apontaram no início do ano que o ciclo de HBM tem componentes transitórios ligados a estocagem defensiva dos hiperscalers e ao ritmo de qualificação de novos SKUs. Se essa hipótese se confirmar em 2027, o múltiplo hoje pago pela Samsung, próximo de nove vezes o lucro projetado para o ano, é frágil.
O que muda para clientes globais
O resultado consolida um novo mapa de dependência para quem compra infraestrutura de IA. Nos Estados Unidos, Microsoft, Amazon e Meta seguem com contratos plurianuais de HBM assinados com Samsung e SK Hynix, o que reduz espaço de negociação de preço mesmo com o resultado recorde. No Japão, MUFG, SMBC e Mizuho, que ganharam acesso ao Claude Mythos da Anthropic e ao GPT-5.5-series da OpenAI para defesa cibernética em maio e junho, dependem da mesma cadeia coreana para expandir seus clusters domésticos. Na Índia, o pipeline de US$ 15 bilhões da joint venture da Adani com o Google em Visakhapatnam, anunciado em maio, embute a mesma linha de HBM coreana, o que joga sobre integradores e clientes finais o repasse de qualquer nova alta unitária. No Brasil, onde operadores de data center e bancos vinham montando roadmap para 2027, o impacto imediato é a difícil negociação de preço de memória com fornecedores agora em posição de oligopólio.
A leitura desagradável para bancos e consultorias é que a economia da IA está migrando para o hardware. Os balanços de TCS, Infosys e Wipro caem, e a soma de valor de mercado das cinco maiores IT indianas recuou 46% desde agosto de 2024, segundo levantamento do BusinessToday. O prêmio agora é da memória, não do serviço.