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Trump abre conversa de equity da União em OpenAI e xAI e deixa Anthropic fora do desenho

Fachada do Departamento do Tesouro dos EUA em Washington ao entardecer com dois SUVs estacionados e figura solitária subindo a escadaria de mármore.

Presidente disse na sexta que governo pode tomar fatia direta em gigantes de IA. OpenAI propôs Public Wealth Fund. Anthropic não está nas negociações após romper com o Pentágono.

Donald Trump disse na sexta-feira, 6 de junho, em fala a repórteres na Casa Branca, que o governo dos Estados Unidos pode tomar participação acionária direta em empresas de IA, citando nominalmente OpenAI, Anthropic e xAI. A frase do presidente, de que tornar o governo "um parceiro nessa revolução" seria "uma coisa linda", abriu publicamente um debate que vinha sendo conduzido em silêncio entre o Departamento de Comércio, o Tesouro e os três maiores laboratórios de fronteira do país.


O modelo em discussão tem origem na própria OpenAI. Sam Altman submeteu em abril de 2026 a proposta de um Public Wealth Fund: a empresa doaria, em vez de vender, equity para o governo federal. Essas ações alimentariam um fundo soberano de investimento. Não envolve dinheiro do contribuinte na entrada. Em troca, a OpenAI ganharia clareza regulatória, possível tratamento prioritário em compras públicas e proteção contra a hipótese de nacionalização forçada que Bernie Sanders defende abertamente.


Sanders propôs no mesmo fim de semana uma versão muito mais agressiva. Quer 50% de equity governamental nas três empresas e mais 50% de imposto sobre suas ações. É nacionalização parcial. A coincidência de que MAGA e a esquerda progressista chegaram à mesma conclusão sobre captura privada de tecnologia de fronteira não passou despercebida no Capitólio.


O detalhe que muda tudo: Anthropic não está na mesa


A diferença operacional entre os três laboratórios é o que define onde isso vai parar. Segundo a Bloomberg, a Anthropic não está em conversa de equity com a Casa Branca. Em fevereiro de 2026, o secretário de Defesa Pete Hegseth designou a Anthropic como risco de cadeia de suprimentos depois que Dario Amodei se recusou a flexibilizar duas linhas vermelhas: nada de vigilância em massa de americanos e nada de armas autônomas letais.


A consequência prática começou em março. O Pentágono iniciou testes com modelos da OpenAI e do Google para substituir o Claude no Maven Smart System, plataforma classificada que, segundo a Bloomberg, foi usada em operações recentes contra o Irã. A meta interna do Departamento de Defesa é desligar a Anthropic em seis meses. Sam Altman, segundo o NOTUS, encontrou Howard Lutnick no Tesouro nesta semana para detalhar a estrutura do Public Wealth Fund. A xAI de Elon Musk, que assinou em setembro um contrato OneGov com a GSA por US$ 0,42 por agência federal por 18 meses, está mais alinhada politicamente e tende a receber tratamento favorável.


O recado para empresas fora dos EUA


A leitura para CIOs e diretores de inovação fora dos Estados Unidos é dura. Se a OpenAI virar uma empresa com 10% a 30% de equity governamental americano, decisões de exportação, restrição de chip e bloqueio de modelo deixam de ser comerciais e passam a depender de pauta política em Washington. Para a Capgemini, que padronizou parte de suas operações em GPT-5.5 para clientes europeus regulados, isso desperta um problema novo de fornecedor de jurisdição soberana.


No Reino Unido, o Treasury começou em maio uma consulta sobre como o National Wealth Fund poderia, em tese, tomar participação em laboratórios britânicos. O movimento estava parado por falta de modelo replicável. Se a OpenAI passar adiante, Londres ganha referência política para justificar o passo dentro do parlamento. Para fornecedores como Stability AI e ElevenLabs, sediados em Londres, a discussão muda a equação de captable de qualquer próxima rodada.


Na União Europeia, a divergência transatlântica abre janela para que Mistral, em Paris, ganhe atratividade política como alternativa fora do perímetro do Public Wealth Fund americano. O texto do AI Act não regula propriedade de fornecedor, mas governos europeus já sinalizaram em discursos recentes que a origem soberana do modelo deve pesar em compras públicas estratégicas. Para qualquer banco da zona do euro sob DORA, isso vira critério a documentar em painel de avaliação de fornecedor.


No Brasil, o BNDES não tem mandato para participação acionária em laboratórios de IA estrangeiros, e a discussão local de soberania computacional ainda gira em torno do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial e do uso de Sovrana, a infraestrutura nacional anunciada em 2024. A pergunta que fica para qualquer comitê de compras de tecnologia em 2026 é mais simples: se um contrato com OpenAI passa a vir com um sócio chamado "governo dos Estados Unidos", o que muda no procurement de uma empresa privada do mundo?


O que ainda não está confirmado


A OpenAI não havia se pronunciado publicamente sobre o cronograma da proposta até o fechamento desta matéria. A Anthropic e a xAI também não comentaram. A Casa Branca não confirmou prazo. O calendário factível, segundo duas fontes próximas ao Tesouro citadas pelo NOTUS, depende da aprovação do orçamento de defesa para 2027 e dificilmente se materializa antes do quarto trimestre.

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