Mercados5 minRedação

AMD fatura US$ 8,5 bi em data center, quase o dobro em um ano

Receita de data center da AMD sobe 97% no terceiro trimestre, puxada pela estreia dos racks Helios e do MI450, e a empresa projeta cerca de US$ 17 bilhões para o quarto trimestre.

Módulos AMD Instinct MI450 instalados em um rack aberto de data center.

A AMD fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita de US$ 13,4 bilhões, alta de 45% sobre o mesmo período de 2025, e um número que muda a leitura da empresa: o segmento de Data Center faturou US$ 8,5 bilhões, 97% acima de um ano antes, segundo o comunicado de resultados divulgado na terça-feira (3) após o fechamento do mercado. Na prática, quase dois de cada três dólares que a AMD vende hoje saem de servidores e aceleradores para nuvem e IA. As ações subiram entre 8% e 9% no after-hours.

O lucro por ação ajustado ficou em US$ 2,09, contra US$ 1,46 no critério contábil (GAAP). Para o quarto trimestre, a companhia projeta receita em torno de US$ 17 bilhões, com margem de 3% para cima ou para baixo, de acordo com a orientação apresentada por Lisa Su e pela diretora financeira Jean Hu na teleconferência. Se o ponto médio se confirmar, a AMD terá crescido cerca de 27% de um trimestre para o outro, ritmo raro para uma empresa desse porte.

O MI450 entrou na conta

O trimestre foi o primeiro em que a AMD reconheceu receita com os racks Helios e com a família Instinct MI450, a aposta da empresa para disputar com a Nvidia o mercado de treinamento e inferência em escala. Segundo o comunicado, Anthropic, Meta, Microsoft, OpenAI e Oracle Cloud Infrastructure já rodam modelos e cargas de trabalho nos primeiros sistemas Helios. A lista importa mais do que o volume: são cinco dos maiores compradores de capacidade de IA do planeta testando uma alternativa ao padrão de fato do setor.

Lisa Su, CEO da AMD, disse no comunicado que a empresa entregou um trimestre recorde, com receita acima do topo da própria projeção, e que o crescimento deve acelerar no quarto trimestre conforme a produção do Helios e dos processadores EPYC "Venice" ganhar escala. Na teleconferência, a administração descreveu a passagem do terceiro para o quarto trimestre como um salto "muito significativo" no volume do MI450.

O resto do portfólio anda em outra velocidade. A divisão de Client e Gaming, que reúne processadores para PCs e chips de consoles, encolheu na comparação anual, e a unidade de Embedded cresceu 29%, para US$ 1,1 bilhão. A concentração no data center é a força do resultado e também o ponto que analistas vão pressionar: a AMD passa a depender, em grande medida, do orçamento de capital de meia dúzia de hiperescaladores e laboratórios de IA.

O contraponto que o mercado vai cobrar

O resultado chega num momento de desconfiança. Na mesma terça-feira, o Nasdaq oscilou com investidores divididos entre valuations esticados e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA, e a Palantir caiu mesmo depois de superar as estimativas na véspera. O argumento cético contra a AMD não é que a demanda seja falsa, e sim que ela está concentrada em poucos clientes cujas decisões de capex podem mudar de um trimestre para o outro.

Há também uma diferença que o debate sobre "bolha de IA" costuma ignorar. Microsoft, Meta e Oracle financiam suas compras de chips com fluxo de caixa de negócios já lucrativos. Laboratórios como OpenAI e Anthropic dependem de captação de capital, e a Anthropic protocolou em 26 de outubro seu pedido de abertura de capital na Nasdaq. Uma receita de data center sustentada pelo primeiro grupo é mais resistente do que uma sustentada pelo segundo, e o comunicado da AMD não separa as duas fontes.

A Nvidia divulga seu balanço do terceiro trimestre fiscal em 18 de novembro, segundo o calendário de resultados.

O que muda para quem compra capacidade

Para CIOs e consultorias que desenham arquiteturas de IA, o dado relevante é a entrada de uma segunda fonte de racks completos nas mesmas nuvens. Nos Estados Unidos, isso pesa diretamente na capacidade que Microsoft Azure e Oracle Cloud conseguem alocar a clientes corporativos, já que ambas aparecem na lista de usuários do Helios.

Fora do eixo americano, o canal é a alocação regional. Bancos e indústrias na Europa e no Japão negociam capacidade dedicada com as mesmas nuvens americanas, e a Oracle opera regiões em São Paulo e em Vinhedo que atendem clientes brasileiros. Uma segunda fonte de aceleradores amplia o volume total disponível, mas o comunicado da AMD não diz em que regiões os racks serão instalados. Para o cliente fora dos Estados Unidos, a pergunta a fazer ao provedor é em que região e em que trimestre essa capacidade estará disponível.

A observação que fica para o comprador corporativo é de prazo: a orientação de US$ 17 bilhões pressupõe que a AMD produza e entregue o Helios na escala prometida. Quem assina hoje contratos de capacidade para 2027 passa a ter dois fornecedores possíveis atrás da mesma nuvem, e o preço por hora de acelerador deixa de ter um único ponto de referência.

Fontes

  1. ir.amd.comhttps://ir.amd.com/news-events/press-releases/detail/1303/amd-reports-third-quarter-2026-financial-results
  2. newsroom.amd.comhttps://newsroom.amd.com/news/amd-reports-third-quarter-2026-earnings/
  3. techpowerup.comhttps://www.techpowerup.com/354446/amd-reports-record-usd-13-4b-third-quarter-2026-revenue
  4. uk.investing.comhttps://uk.investing.com/news/stock-market-news/earnings-call-transcript-amd-tops-q3-2026-estimates-as-stock-jumps-after-hours-93CH-4954263

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