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SpaceX-xAI inicia roadshow de IPO a US$ 1,75 tri e Morningstar avalia em US$ 780 bi

Sede da Nasdaq em Times Square antes de abrir, com prospecto de IPO da SpaceX sobre a mesa do estúdio

Roadshow começou em 4 de junho com preço fixo de US$ 135 por ação e meta de captar US$ 75 bilhões. Para Morningstar, valuation justo é 55% abaixo do pedido. Estreia em 12 de junho como SPCX.

A SpaceX abriu em 4 de junho o roadshow do IPO da entidade combinada com xAI, com preço fixo de US$ 135 por ação e meta de captar até US$ 75 bilhões a um valuation de US$ 1,75 trilhão. O pricing está marcado para 11 de junho e o primeiro dia de pregão para 12 de junho, na Nasdaq sob o ticker SPCX. Será a maior oferta inicial de ações já feita, superando o US$ 25,6 bi da Saudi Aramco em 2019 e o US$ 21,8 bi do Alibaba em 2014.


O valuation está sob fogo desde antes do prospecto. Morningstar atribui US$ 780 bilhões ao combinado, 55% abaixo da meta da oferta. "O fosso da SpaceX em lançamento orbital é provavelmente o mais profundo que existe hoje em qualquer setor", escreveu Brian Colello, head de equity research da casa, no relatório que cita 134 lançamentos Falcon 9 em 2025 e 84% de share global em massa entregue à órbita. O mesmo relatório aponta que o valor não cabe quando se soma a divisão AI: a xAI registrou US$ 6,35 bilhões de prejuízo operacional em 2025 e queimou mais US$ 2,5 bilhões somente no primeiro trimestre de 2026.


A estrutura de preço fixo é incomum


Musk impôs uma engenharia de oferta que não é padrão em Wall Street. Em vez do clássico bookbuilding com banda referencial, a SpaceX foi a mercado com preço fixo de US$ 135, que os bancos coordenadores aceitam ou não. Para Jay Ritter, professor da University of Florida e autoridade em IPOs, isso transfere o risco de demanda para os underwriters. "Goldman Sachs, JPMorgan, Morgan Stanley e Bank of America assinam o sindicato sabendo que precisam encher o livro a um preço que o emissor decidiu", disse Ritter à Bloomberg na quarta. A última oferta grande com mecânica parecida foi o IPO do Google em 2004, sob o modelo holandês.


O ponto técnico que o mercado disseca é o tratamento da participação de Musk. O bilionário detém aproximadamente 42% das ações da SpaceX e direitos de voto super majoritários após uma reorganização de classes em março. Trechos do S-1 atualizado destacam que ele pode vetar conselhos por classes sozinho até 2031, estrutura comparável à do Meta, mas mais agressiva nos vetores de aprovação. Para fundos de pensão japoneses como GPIF e Norinchukin, e europeus como Norges Bank e ABP, esse tipo de governança costuma forçar redução de peso obrigatória em mandatos ESG.


Como a xAI pesa no caso


O racional do IPO é financiar capex de Starlink, Starship e xAI sem retornar ao mercado privado. A AI division consumiu US$ 8,85 bilhões em 18 meses e o plano de Musk apresentado aos potenciais subscritores é triplicar a capacidade de Colossus, o cluster GPU da xAI em Memphis, para 1 milhão de Blackwell até final de 2027. O número implica em compras de US$ 30 a US$ 35 bilhões diretamente para a NVIDIA, segundo cálculos do banco BNP Paribas. A receita da xAI em 2025 foi de US$ 1,8 bilhão, predominantemente de Grok e API.


A Apollo Global Management e o Public Investment Fund da Arábia Saudita são os âncoras conhecidos do livro. O PIF deve comprometer entre US$ 8 e US$ 12 bilhões, segundo o Financial Times. Mubadala, dos Emirados, e Temasek, de Cingapura, completam o quadro de soberanos. O lado europeu está fraco: Norges Bank declarou neutralidade pública e ABP indicou que não participará na alocação inicial pelo perfil de governança.


No Brasil, o efeito chega por dois canais. Previ, Petros e fundos de previdência abertos têm exposição a Magnificent 7 via ETFs e fundos de subsídia americana; um SPCX listado na Nasdaq com peso em índices força o ajuste de portfólios passivos. O segundo canal é Starlink, com 320 mil assinantes ativos no país segundo a Anatel em abril, e regulação de espectro que o Ministério das Comunicações ainda negocia caso a caso. Um IPO com escrutínio aumentado tende a tornar a empresa mais responsiva a contrapartidas regulatórias.


A história desta oferta não é se sai com o preço pedido. É como Musk vai administrar o gap de credibilidade que a Morningstar nomeou. A última vez que um IPO desse porte saiu cobrado, em 2021 com a Coupang a US$ 60 bilhões, o papel caiu 51% em 18 meses. A diferença é que SpaceX gera US$ 14 bilhões de receita anual e xAI ainda não. A pergunta é se o mercado precifica como SpaceX com bônus xAI, ou como xAI com colateral SpaceX.

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