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Trump recebe Amodei para jantar após meses de atrito

Trump jantou no domingo (27) com o CEO da Anthropic na Casa Branca, dois dias antes de reunião prevista com executivos de IA, e reafirmou que é contra desacelerar o desenvolvimento da tecnologia.

Fachada norte da Casa Branca vista de dia, com fonte e grades de segurança.

Donald Trump recebeu Dario Amodei, CEO da Anthropic, para um jantar privado na Casa Branca na noite de domingo (27), o primeiro encontro a sós entre os dois, segundo o Axios, que antecipou o convite, e a CNBC. Ao desembarcar na base de Andrews, vindo de um torneio de golfe em Chicago, Trump confirmou o compromisso e chamou Amodei de "muito respeitado". Na mesma fala, rejeitou a tese que o executivo defende há duas semanas: "Estamos à frente da China em IA e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer em IA vence", disse, segundo a Euronews. Trump estimou a vantagem americana em "um ano, talvez um ano e meio".

Nem a Casa Branca nem a Anthropic haviam divulgado o conteúdo da conversa até o fechamento desta matéria.

Do veto ao convite

O jantar interrompe sete meses de conflito aberto. Em fevereiro, Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, classificaram a Anthropic como "risco para a cadeia de suprimentos" do Pentágono, depois que a empresa se recusou a permitir o uso de seus modelos em armas totalmente autônomas e em vigilância doméstica em massa. Trump escreveu na Truth Social que o governo "NUNCA" permitiria que "uma empresa radical de esquerda, woke" ditasse como os militares lutam. Na semana passada, um tribunal federal de apelação decidiu contra a tentativa da Anthropic de contestar a designação, segundo a Forbes.

O segundo foco de atrito surgiu em 12 de setembro, quando Amodei publicou o ensaio "We Must Pace the Frontier", com cerca de 3.900 palavras, pedindo que a indústria desacelere o ritmo de melhoria das capacidades dos modelos mais avançados. O texto não propõe parar o treinamento. Pede avaliadores externos permanentes, coordenação entre laboratórios de países democráticos e uma coordenação global mais ampla, e a Anthropic se comprometeu a abrir seus modelos a avaliadores independentes. Trump reagiu dizendo que Amodei tentava ser "um perfeito anjinho".

Amodei também foi a única ausência notada no jantar de Estado da semana anterior, em que Sam Altman, da OpenAI, e Sundar Pichai, do Google, estiveram ao lado do presidente. A CNBC atribuiu a ausência a um conflito de agenda.

A reunião de terça-feira

O encontro de domingo antecede a reunião que Trump e o presidente da Câmara, Mike Johnson, devem ter com CEOs de tecnologia na terça-feira (29), segundo o Axios e a Reuters. Johnson disse que haverá "uma discussão deliberada sobre a responsabilidade das empresas em manter a segurança". Nenhum veículo publicou a lista de participantes nem a pauta.

O contraste entre as duas falas define a semana. Johnson fala em responsabilidade das empresas; Trump repete que regulação nova abriria espaço para a China. Quem negociar com a Casa Branca na terça vai ouvir as duas versões na mesma sala.

Três capitais, três réguas

O jantar acontece dois dias depois de um gesto que vai na direção oposta à retórica de corrida. Na sexta-feira (26), ao fim de três dias de cúpula com Xi Jinping em Washington, Estados Unidos e China concordaram em criar um canal de comunicação para incidentes envolvendo IA, com um diálogo específico sobre o tema marcado para novembro, segundo a Casa Branca. O acordo público não define o que conta como incidente, como um alerta seria enviado nem que resposta se seguiria.

A União Europeia caminha por outra via. O pacote Omnibus Digital sobre IA, que adiou prazos das obrigações de alto risco do AI Act, entrou em vigor neste ano, depois de acordo entre Conselho e Parlamento fechado em maio. Bruxelas reduziu o ritmo de cobrança da lei, mas mantém a lei; Washington segue sem lei federal equivalente e trata a velocidade como política industrial; Pequim aceita um canal de incidentes com Washington enquanto mantém sua própria camada de regras sobre conteúdo e algoritmos.

Para empresas que operam nos três mercados, a divergência aparece no contrato antes de aparecer no noticiário. Um banco europeu que usa modelos americanos responde ao cronograma do AI Act, enquanto o fornecedor desses modelos negocia sua posição regulatória em jantares em Washington. Um integrador com clientes nos EUA e na UE precisa documentar governança para Bruxelas mesmo quando o cliente americano não pede.

O que o jantar não muda

Um jantar não revoga um ato administrativo. A designação da Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos continua valendo até que o Pentágono a retire ou que a Justiça a derrube, e a última decisão judicial foi contra a empresa. Para CIOs que compram modelos de mais de um fornecedor, o indicador a acompanhar nas próximas semanas é um documento, não uma foto: qualquer revisão formal daquela designação diria mais sobre a relação entre Washington e a Anthropic do que o cardápio de domingo.

Fontes

  1. axios.comhttps://www.axios.com/2026/09/27/anthropic-trump-dario-amodei-dinner-invite
  2. cnbc.comhttps://www.cnbc.com/2026/09/27/dario-amodei-set-to-have-dinner-with-trump-after-missing-state-dinner.html
  3. forbes.comhttps://www.forbes.com/sites/siladityaray/2026/09/28/trump-has-dinner-with-anthropics-billionaire-ceo-dario-amodei-after-earlier-barbs/
  4. euronews.comhttps://www.euronews.com/2026/09/28/trump-to-dine-with-anthropic-ceo-dario-amodei-at-the-white-house-despite-months-of-open-co
  5. axios.comhttps://www.axios.com/2026/09/24/trump-johnson-meeting-september-29
  6. aljazeera.comhttps://www.aljazeera.com/news/2026/9/26/china-us-to-open-ai-communication-channel-after-summit-white-house-says

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