Segurança & Risco5 minRedação

Bancos dos EUA detectam agentes de IA não autorizados, diz Axios

Segundo a Axios, agentes de terceiros entram em contas com a senha do cliente e tentam ações não pedidas. Morgan Stanley começou a bloqueá-los; JPMorgan, BofA e Citi restringem a leitura.

Cartão bancário parcialmente inserido em um leitor sobre o balcão de uma agência clara.

Grandes bancos americanos estão detectando agentes de inteligência artificial de terceiros operando dentro de contas de clientes sem autorização, e alguns desses agentes tentaram executar ações que o próprio cliente não pediu. A informação é de uma reportagem exclusiva da Axios publicada em 22 de outubro, baseada em fontes que acompanham o assunto, e foi repercutida pela Reuters, que atribuiu os dados à Axios. Morgan Stanley, Bank of America, JPMorgan e Wells Fargo estão entre as instituições citadas como correndo para conter o risco.

O ponto central não é um ataque, e sim um problema de identidade. Segundo a reportagem, os agentes muitas vezes entram nas contas com o login e a senha do próprio cliente, prática que contraria as regras da maioria dos bancos. Do lado do banco, a sessão parece legítima. As fontes ouvidas pela Axios dizem que as instituições têm dificuldade para distinguir um agente de outro e para saber se cada ação segue de fato a instrução do usuário.

Como cada banco está reagindo

O Morgan Stanley adotou a postura mais dura e começou a bloquear agentes de terceiros em suas plataformas, segundo as fontes da Axios. Ao mesmo tempo, um porta-voz do banco afirmou que a instituição não observou casos de "agentes de IA desonestos acessando nossas plataformas". As duas informações não se contradizem: o banco está fechando uma porta antes de ver alguém passar por ela.

JPMorgan, Bank of America e Citi optaram por restringir em vez de proibir, de acordo com a reportagem. O JPMorgan já bloqueia agentes externos que tentem operar em nome de clientes de varejo; eles podem consultar dados como saldo em modo somente leitura quando um agregador como a Plaid tem as credenciais do usuário, mas não podem enviar dinheiro nem pagar contas. A maioria dos bancos citados autorizou ou caminha para autorizar esse acesso somente leitura.

A reportagem não documenta perdas financeiras confirmadas causadas por esses agentes. Além do Morgan Stanley, os bancos mencionados não haviam comentado publicamente os detalhes da reportagem até o fechamento desta matéria.

O vazio regulatório americano

O problema expõe uma diferença de infraestrutura entre mercados. Nos Estados Unidos, o compartilhamento de dados bancários com terceiros ainda depende em larga escala de agregadores que usam as credenciais do cliente. A regra de open banking do CFPB, prevista na seção 1033 da lei Dodd-Frank, foi reaberta para revisão pela própria agência em 2025, e o mercado segue sem um padrão obrigatório de acesso por API. Um agente de IA que recebe a senha do usuário herda esse modelo, com uma diferença: em vez de apenas ler extratos, ele pode tentar agir.

No Reino Unido e na União Europeia, a regra técnica da PSD2 restringe desde 2019 o acesso por raspagem de tela com credenciais do cliente, e o Open Banking britânico exige interfaces dedicadas com consentimento explícito. Em tese, um agente de IA que queira operar uma conta europeia precisa passar por um prestador autorizado e por uma API com escopo definido, o que dá ao banco um ponto de controle que o modelo americano não oferece.

No Brasil, o Open Finance funciona sobre consentimentos registrados e APIs padronizadas desde 2021, com escopos que separam leitura de dados e iniciação de pagamento. A arquitetura permite, ao menos no desenho, que um agente receba permissão para consultar saldo sem receber permissão para mover dinheiro, exatamente a separação que os bancos americanos estão tentando improvisar agora com bloqueios unilaterais.

O que isso significa para quem vende agentes

Para fornecedores de agentes de consumo e para as empresas que os integram, a mensagem dos bancos americanos é que o acesso por credencial do cliente tem prazo de validade. Quem construir produtos que dependem de login e senha do usuário corre o risco de ter a integração cortada sem aviso, como o Morgan Stanley começou a fazer.

Para os bancos, a questão de fundo é de responsabilidade. Se um agente autorizado pelo cliente executa uma transferência que o cliente não pretendia, a conta da perda ainda não tem dono claro nos Estados Unidos. Em mercados com consentimento estruturado por API, como Reino Unido e Brasil, o registro de quem autorizou o quê já existe, e é ele que deve servir de base quando a primeira disputa desse tipo chegar a um tribunal ou a um regulador.

Fontes

  1. axios.comhttps://www.axios.com/2026/10/22/ai-agents-banks-unauthorized-accounts-access
  2. thestar.com.myhttps://www.thestar.com.my/tech/tech-news/2026/10/22/us-banks-detect-unauthorized-ai-agents-in-customer-accounts-axios-reports
  3. cybersecuritynews.comhttps://cybersecuritynews.com/u-s-banks-detect-unauthorized-ai-agents/
  4. ibtimes.co.ukhttps://ibtimes.co.uk/us-banks-restrict-third-party-ai-agents-1827325
  5. gizmodo.comhttps://gizmodo.com/blindsided-by-ai-agents-big-banks-scramble-to-beef-up-security-2000829358

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