Azure cruza os US$ 100 bilhões e Microsoft mira US$ 190 bilhões de capex para 2026

Receita anual do Azure passou de US$ 100 bilhões pela primeira vez, com salto de 43% no trimestre. Amy Hood guiou o mercado para um capex de aproximadamente US$ 190 bilhões no ano calendário.
A Microsoft fechou o quarto trimestre fiscal com US$ 90 bilhões em receita, alta de 18% na comparação anual, e cruzou pela primeira vez a barreira dos US$ 100 bilhões em receita anual do Azure. O anúncio, feito após o fechamento do pregão na quarta-feira (29 de julho), foi o gatilho para uma alta de mais de 8% no after-hours, apesar do capex trimestral de US$ 35,8 bilhões, o dobro do reportado no mesmo período do ano anterior.
O Azure e demais serviços de nuvem cresceram 43% no trimestre, acelerando frente aos 39% guiados pela CFO Amy Hood no relatório anterior. A carteira contratada e ainda não reconhecida (RPO) saltou 84% em base anual, atingindo US$ 678 bilhões. Para Satya Nadella, o número traduz um padrão simples: os clientes estão comprando capacidade antes de ela existir, e a Microsoft está construindo mais depressa que qualquer concorrente.
Capex dobra e volta a dobrar
O capex de FY26 fechou em US$ 115,9 bilhões, ante US$ 64,55 bilhões em FY25, avanço de 80%. Amy Hood indicou no earnings call que o gasto no ano calendário de 2026 deve chegar a cerca de US$ 190 bilhões, o que implica uma nova aceleração de aproximadamente 64% sobre a base já dobrada. Dois terços do gasto vão para ativos de vida curta, sobretudo CPUs e GPUs, com prazos de reposição menores. Cerca de US$ 5,6 bilhões vieram de arrendamentos financeiros de datacenters.
A composição importa para o CFO das casas de consultoria e dos bancos que compram Azure: se a demanda esfriar, Hood pode congelar as compras de silício sem parar as obras de terreno e prédios. É o oposto da rigidez de um contrato de longo prazo com uma operadora de colocation.
Copilot ganha escala paga, GitHub adota consumo
O M365 Copilot cruzou 30 milhões de assentos pagos, com as adições líquidas do trimestre mais do que dobrando em base sequencial. O GitHub Copilot chegou a 50 milhões de usuários, e a receita do produto cresceu 60% em base sequencial após a mudança para cobrança por consumo. Foi o primeiro trimestre em que o modelo de assinatura fixa ficou para trás na estatística oficial da empresa.
O ponto merece leitura para líderes de TI que ainda tratam Copilot como custo fixo por licença. Se o preço passa a acompanhar chamadas de API, o orçamento do time de engenharia deixa de ser previsível e passa a ser função da adoção real. Não é ruim, é diferente, e obriga o CIO a instrumentar consumo antes de contratar mais assentos.
Trinta e um datacenters em três meses
A Microsoft adicionou 31 novos datacenters em cinco continentes no trimestre e cortou o tempo entre a chegada do rack e o servidor pronto para uso em aproximadamente 50%. É o tipo de detalhe operacional que decide contratos plurianuais: para uma consultoria que roteia workload de cliente entre EUA, Índia e União Europeia, a Microsoft está oferecendo capacidade em regiões que ainda são fila de espera no Google Cloud e na AWS.
Na Índia, onde Accenture, TCS, Infosys e Wipro concentram os centros de entrega que hospedam sistemas de clientes globais, a Azure India expandiu regiões em Pune e Hyderabad neste ciclo. Para o parceiro do Big 4 que precifica um projeto de modernização de core em Frankfurt, a existência de uma região soberana em Berlim e outra em Zurique altera a arquitetura e o preço final. Cada datacenter novo é uma variável a menos na proposta comercial.
O que Nadella deixou de fora
O CEO enfatizou a estratégia de "diversificação de modelos" ao longo do call, mencionando OpenAI, Anthropic e a família MAI da própria Microsoft como opções para clientes corporativos. Nadella não citou o valor exato pago à OpenAI no trimestre, mas o ajuste não-GAAP no EPS de US$ 0,07 dá uma dica do impacto do investimento na linha final.
O ponto para o comprador corporativo é outro: pela primeira vez, um cliente do Azure OpenAI Service pode migrar workloads para Claude Opus 5, também rodando na Azure, sem trocar de fornecedor de infraestrutura. Isso destrava conversas comerciais que estavam travadas em contratos exclusivos. Ao mesmo tempo, obriga a Microsoft a competir em preço com o próprio Anthropic, que também vende Claude direto e via Bedrock da AWS. Nenhum outro hyperscaler está nessa posição.