CXMT inicia produção em massa de DRAM G5 com 11,95 nm

A chinesa CXMT colocou sua plataforma de memória de quinta geração em produção sem litografia EUV e já detém 10% do mercado global de DRAM, contra 4% um ano antes.
A CXMT anunciou em 20 de setembro, na Convenção Mundial de Manufatura em Hefei, que sua plataforma de memória de quinta geração entrou em produção em massa. Segundo o comunicado da empresa, a G5 atingiu meio-passo de 11,95 nanômetros no arranjo de memória e produz pelo menos 50% mais pastilhas por lâmina que a geração anterior. Dois produtos LPDDR5X de 24 Gb por die já saíram da linha e estão em celulares topo de linha de marcas chinesas.
O detalhe técnico que sustenta o anúncio é o processo. A CXMT chegou aos 11,95 nm usando quádrupla padronização, técnica que expõe e corrói a mesma lâmina quatro vezes em vez de uma. É mais lento, consome mais etapas e derruba o rendimento por lâmina, mas dispensa as máquinas de litografia ultravioleta extrema da ASML, que a China não pode comprar desde 2019. A empresa escolheu pagar em complexidade de processo o que não pode pagar em equipamento.
De 4% para 10% em quatro trimestres
A participação global da CXMT em DRAM subiu para 10% no segundo trimestre de 2026, contra 4% um ano antes, de acordo com levantamentos de mercado citados por múltiplas casas de análise. Três anos atrás, era menos de 1%. A empresa ocupa agora o quarto lugar mundial, atrás da Samsung com 39%, da SK Hynix com 26% e da Micron com 25%. A soma das três caiu de 94% para 87% no mesmo intervalo. A receita da CXMT cresceu 716% na comparação anual do trimestre, e o IPO no STAR Market de Xangai, em julho, levantou cerca de US$ 8,6 bilhões.
Esse avanço tem uma explicação que não é apenas política industrial. Samsung, SK Hynix e Micron redirecionaram capacidade avançada para HBM, a memória empilhada que alimenta aceleradores de IA, e cada gigabyte de HBM consome cerca de três vezes mais área de lâmina que um gigabyte de DRAM convencional, segundo executivos da Micron. O resultado foi uma escassez de memória comum. A receita global de DRAM subiu 57% em um trimestre e 385% em um ano. A Samsung elevou o módulo DDR5 de 32 GB de US$ 149 para US$ 239 em setembro, alta de 60%. A SK Hynix declarou capacidade de HBM, DRAM e NAND essencialmente vendida para 2026, e a Micron saiu do mercado de memória de consumo.
A CXMT entrou na vaga que os três abriram. Vende DRAM convencional para fabricantes chineses de PC, celular e servidor, clientes que têm razão comercial e razão política para reduzir dependência das três incumbentes ao mesmo tempo.
Coreia, Estados Unidos, Índia e Brasil pagam a conta de formas diferentes
Para Samsung e SK Hynix, o risco não é perder o cliente de IA. É perder a base de volume que financia a fábrica enquanto a margem vem do HBM. Memória convencional sustenta a utilização das plantas coreanas nos trimestres em que o ciclo de aceleradores respira. Se a CXMT ocupar permanentemente essa faixa, a Coreia fica exposta a um negócio de margem alta e volume estreito.
A Micron, que já abandonou o consumo para se concentrar em IA e empresa, converteu a perda de participação em decisão estratégica. O teste chega quando a CXMT subir um degrau na escala de densidade e disputar servidor corporativo, não apenas celular.
Na Índia, as linhas de montagem de smartphones em Tamil Nadu e Uttar Pradesh compram memória em dólar e vendem aparelho em rupia. Um LPDDR5X de 24 Gb mais barato vindo da China altera a lista de materiais de cada aparelho montado ali, e altera também qual fornecedor a Samsung enfrenta nas negociações de contrato do próximo semestre.
No Brasil, o efeito chega pelo custo de importação. Servidor, notebook corporativo e celular montado em Manaus carregam memória no preço, e a alta de 60% no módulo DDR5 em um único mês já aparece nas cotações de renovação de parque e nos orçamentos de data center anunciados para 2027. Uma quarta fonte global de DRAM convencional é a única variável de curto prazo capaz de aliviar essa linha, independentemente de qualquer consideração geopolítica sobre a origem do chip.
O que a CXMT não anunciou é a peça que falta. A G5 é plataforma de DRAM convencional, não de HBM, e é no HBM que está a margem do ciclo atual. Enquanto a empresa não colocar memória empilhada em produção, o avanço chinês comprime preço no andar de baixo do mercado e deixa intacto o andar onde Samsung, SK Hynix e Micron ganham dinheiro. O número a acompanhar no próximo trimestre não é a participação da CXMT em DRAM, é a primeira linha de HBM que ela conseguir qualificar.