EXL cresce 19,7% no 3º tri com dados e IA em alta de 36%
A EXL faturou US$ 634 milhões no terceiro trimestre e elevou a projeção de 2026. O negócio de dados e IA, dois terços da receita, cresceu 36%, mas a margem operacional ajustada ficou estável em 19,3%.

A EXL, empresa americana de serviços de dados, analytics e operações, reportou nesta terça-feira (27) receita de US$ 634,0 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 19,7% sobre os US$ 529,6 milhões de um ano antes. O lucro por ação ajustado foi de US$ 0,62, ante US$ 0,48, avanço de 28,5%. Pelo critério contábil GAAP, o lucro diluído por ação subiu de US$ 0,36 para US$ 0,45.
O dado que mais interessa a quem compra ou vende serviços de TI está na composição da receita. Segundo o comunicado, o negócio que a EXL chama de "Data and AI-led", que responde por cerca de dois terços do faturamento, cresceu 36% no critério reportado e 31% em base orgânica. A empresa também elevou a projeção de receita para 2026 para a faixa de US$ 2,430 bilhões a US$ 2,440 bilhões, ante US$ 2,390 bilhões a US$ 2,415 bilhões na estimativa anterior.
O que puxou o trimestre
"Entramos em 2026 com um impulso forte que acelerou ao longo do ano", disse Rohit Kapoor, presidente do conselho e CEO, no comunicado. Segundo ele, todos os segmentos da companhia cresceram mais de 15% em base orgânica. A EXL atende sobretudo seguradoras, empresas de saúde, bancos e varejistas.
Parte do crescimento reportado veio de aquisição. A EXL concluiu a compra da iMerit, especializada em preparação de dados para treinamento de modelos, e criou com ela uma prática de Model Training Solutions. Em entrevista ao Business Standard em junho, Kapoor descreveu a iMerit como porta de entrada para o trabalho com laboratórios de modelos fundacionais. A diferença entre os 36% reportados e os 31% orgânicos no negócio de dados e IA mede, em boa parte, essa contribuição.
A companhia informou 14 novos clientes no trimestre e apresentou uma nova marca, "Go Beyond".
A margem que não acompanhou a receita
O crescimento não veio com ganho de rentabilidade. A margem operacional ajustada ficou em 19,3%, contra 19,4% no terceiro trimestre de 2025. Pelo critério GAAP, a margem operacional caiu de 14,4% para 14,0%. Uma análise publicada após o balanço atribuiu parte da pressão aos custos de escala e ao aumento do endividamento ligado à compra da iMerit.
Esse é o ponto que enfraquece a tese mais otimista sobre o setor. Se a IA estivesse substituindo trabalho humano em ritmo acelerado dentro da própria EXL, seria razoável esperar expansão de margem, não estabilidade. O que o trimestre mostra é outra coisa: a empresa vende mais projetos de dados e IA, mas ainda gasta para construí-los, integrá-los e financiá-los.
O contraponto vem do próprio setor. A Infosys, ao divulgar seus números nos últimos dias, disse que clientes passaram a esperar preços menores quando o fornecedor usa IA, e que essa economia já está embutida em contratos plurianuais, segundo relato do The Register. A leitura cética é que o crescimento de receita em IA convive com deflação no preço da hora trabalhada. A leitura otimista é que a EXL, por ter migrado cedo para dados e analytics, captura o novo orçamento antes de sofrer a deflação do antigo. O balanço desta terça não resolve a disputa, mas desloca a pergunta da receita para a margem.
Onde o resultado repercute
Na Índia, onde a EXL concentra grande parte de suas operações de entrega, o trimestre reforça uma divergência dentro da indústria de serviços: quem vende dados e IA para setores regulados, como seguros e saúde, cresce perto de 20%, enquanto a Infosys relata que a própria IA freia parte de sua receita tradicional. Para os centros de Noida e Pune, isso significa contratação puxada por perfis de dados, não por volume de operadores.
Nas Filipinas, base importante da indústria global de BPO, o efeito é o inverso. Operações de atendimento e back office de seguradoras americanas são exatamente o tipo de trabalho que projetos de "Data and AI-led" se propõem a automatizar. Quando a fatia de dados e IA de um fornecedor passa de dois terços da receita, o volume de operações tradicionais deixa de ser o motor de crescimento.
Nos Estados Unidos, onde estão os principais clientes, seguradoras e operadoras de saúde aparecem como compradores dispostos a pagar por IA aplicada a sinistros, subscrição e faturamento. A teleconferência com analistas estava marcada para quarta-feira (28), às 10h no horário de Nova York, e deve trazer a pergunta que o comunicado não respondeu: quanto do crescimento depende de novos contratos e quanto de vender IA à base instalada a preços menores por unidade de trabalho.
Fontes
- globenewswire.comhttps://www.globenewswire.com/news-release/2026/10/27/3389591/9060/en/exl-reports-2026-third-quarter-results.html
- ir.exlservice.comhttps://ir.exlservice.com/news-releases/news-release-details/exl-reports-2026-third-quarter-results
- stocktitan.nethttps://www.stocktitan.net/news/EXLS/exl-reports-2026-third-quarter-pottlvq4q0ws.html
- business-standard.comhttps://www.business-standard.com/companies/people/exl-sees-imerit-as-gateway-to-foundation-model-training-rohit-kapoor-126062800408_1.html
- theregister.comhttps://theregister.com/channel/2026/10/28/ai-slows-growth-for-infosys-and-keeps-it-afloat-at-the-same-time/5305879