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Intel compra a israelense Classiq para montar pilha quântica

A Intel fechou acordo para adquirir a Classiq, de software quântico, sem divulgar o valor; a imprensa israelense fala entre US$ 2,2 e 2,3 bilhões. A ideia é unir a plataforma aos qubits de spin em silício da Intel.

Técnico com luvas segura um wafer de qubits de spin de silício sobre bancada clara.

A Intel anunciou nesta segunda-feira, 26 de outubro, um acordo para comprar a Classiq, empresa israelense de software para computação quântica. A companhia não divulgou o valor. A imprensa israelense diverge por pouco: Calcalist e Haaretz falam em cerca de US$ 2,3 bilhões, enquanto Globes e SiliconANGLE citam US$ 2,2 bilhões. A conclusão está prevista para o primeiro semestre de 2027, sujeita a aprovações regulatórias.

Em qualquer das duas cifras, o cheque fica muito abaixo das maiores compras da Intel, a Altera por US$ 16,7 bilhões em 2015 e a Mobileye por US$ 15,3 bilhões em 2017. É, porém, mais que o dobro do que a IonQ pagou pela britânica Oxford Ionics em 2025.

O que a Intel compra

A Classiq vende uma plataforma de síntese de circuitos quânticos: o desenvolvedor descreve o problema em alto nível e o software gera o circuito otimizado para o hardware de destino. Segundo o comunicado da Intel, a ideia é juntar essa camada aos qubits de spin em silício que a empresa desenvolve há mais de uma década e transformar o Quantum Computing Group em um negócio full-stack, do chip ao código.

A escolha tem lógica industrial. Os qubits de spin da Intel são fabricados com o mesmo ferramental de semicondutores das fábricas de Hillsboro, no Oregon, uma aposta de escala que IBM e Google, com qubits supercondutores, e Quantinuum e IonQ, com íons aprisionados, não fazem. O que faltava à Intel era a camada onde o cliente corporativo de fato trabalha. A Classiq ocupa esse espaço e, segundo o comunicado, continuará agnóstica ao hardware, mantendo as integrações com plataformas de terceiros depois do fechamento.

O compromisso com a neutralidade é a cláusula que mais interessa a quem já usa a ferramenta. Se a Intel privilegiar o próprio hardware, clientes que hoje rodam circuitos da Classiq em máquinas de IBM ou IonQ terão de reavaliar o fornecedor. A Intel diz que não fará isso, e a promessa só poderá ser testada depois de 2027.

Um CEO investidor e uma Intel em reconstrução

O CEO Lip-Bu Tan esteve entre os primeiros investidores da Classiq, segundo reportagens de SiliconANGLE e de veículos israelenses. Para um conselho que vem sendo cobrado por disciplina de capital desde a entrada do governo americano no capital da empresa, em agosto de 2025, com cerca de 10% das ações, o detalhe de governança importa tanto quanto o preço.

A compra também destoa do discurso de corte de custos que Tan adotou ao assumir, em março de 2025. A Intel reduziu quadro, vendeu participação majoritária na Altera e adiou projetos de fábricas. Pagar algo próximo de US$ 2,3 bilhões por uma startup sem receita relevante divulgada indica que a direção enxerga a computação quântica como opção de longo prazo que vale proteger, mesmo com o caixa pressionado.

Há leituras céticas legítimas. Nenhum computador quântico resolve hoje um problema corporativo de forma mais barata que um cluster clássico, e o próprio setor fala em vantagem prática no fim da década. Do outro lado, a IonQ desembolsou US$ 1,075 bilhão na compra da Oxford Ionics, e a Quantinuum foi avaliada em US$ 10 bilhões numa rodada de setembro de 2025: o mercado já precifica plataformas, não promessas de laboratório.

Israel, Estados Unidos e o comprador corporativo

Em Israel, a operação aprofunda a presença de uma empresa que já mantém centros de projeto em Haifa e uma fábrica em Kiryat Gat, e leva para dentro da Intel uma equipe de software quântico formada fora do circuito acadêmico americano. Para as startups de Tel Aviv, é a validação de que software quântico pode render saídas bilionárias sem depender de hardware próprio.

Nos Estados Unidos, a operação amarra a pilha quântica da Intel a uma tecnologia fabricada em solo americano, argumento caro a Washington desde o CHIPS Act. Reguladores devem olhar com atenção a integração vertical, já que a Classiq atende clientes que usam hardware de concorrentes da compradora.

Para o CIO de banco ou de indústria que mantém um piloto quântico, a pergunta prática muda. Até ontem, escolher a Classiq era escolher uma camada neutra. A partir do fechamento, é escolher uma camada da Intel que promete continuar neutra. Times de arquitetura em Nova York, Frankfurt ou São Paulo que padronizaram a ferramenta nos últimos dois anos ganham um fornecedor mais sólido financeiramente e um novo item para a matriz de risco de concentração.

Fontes

  1. intc.comhttps://www.intc.com/news-events/press-releases/detail/1784/intel-to-acquire-classiq-to-create-a-full-stack-quantum
  2. siliconangle.comhttps://siliconangle.com/2026/10/26/intel-buys-quantum-software-pioneer-classiq-for-2-2b/
  3. haaretz.comhttps://www.haaretz.com/israel-news/tech-news/2026-10-26/ty-article/.premium/intel-to-acquire-israeli-quantum-computing-startup-classiq-in-2-3-billion-deal/000001a1-79e2-d682-a7af-79e63a070000
  4. bloomberg.comhttps://www.bloomberg.com/news/articles/2026-10-26/intel-to-buy-israeli-startup-classiq-in-quantum-computing-push
  5. quantumcomputingreport.comhttps://quantumcomputingreport.com/intel-to-acquire-classiq

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