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Meta planeja vender até US$ 95 bi em ações para financiar IA

Primeira etapa de US$ 35 bilhões tem Nvidia, AMD e Broadcom entre os interessados. Outros US$ 60 bilhões viriam de uma nova classe de ações sem direito a voto, ainda sem prazo definido.

Entrada do campus da Meta em Menlo Park com o símbolo azul e prédios baixos ao fundo.

A Meta anunciou nesta segunda-feira (26) um plano para vender até US$ 95 bilhões em ações e financiar a construção de centros de dados para inteligência artificial. A primeira etapa, de cerca de US$ 35 bilhões, combina US$ 22,5 bilhões em ações ordinárias Classe A, negociadas por meio de contratos de venda a termo, e aproximadamente US$ 12,5 bilhões em ações depositárias lastreadas em preferenciais de conversão obrigatória, segundo o prospecto registrado na SEC e reproduzido por Benzinga, Investing.com e outros veículos.

Os US$ 60 bilhões restantes viriam de um programa de venda gradual no mercado, o chamado at-the-market, usando uma nova Classe C de ações sem direito a voto. A Meta informou que prazo, tamanho e termos desse programa ainda não foram definidos, e ele só começa quando a nova classe passar a ser negociada.

Fornecedores do outro lado do balcão

O detalhe que mais chama atenção está na lista de interessados. Nvidia, AMD e Broadcom manifestaram interesse, não vinculante, em comprar até US$ 5 bilhões das ações Classe A, somadas as três, de acordo com os documentos da oferta. São as empresas que vendem à Meta os aceleradores e os chips sob medida que a captação vai pagar.

O expediente não é novo. A Nvidia já havia firmado em setembro de 2025 uma carta de intenções para investir na OpenAI, outra grande compradora de seus processadores. Críticos chamam o arranjo de financiamento circular: o fornecedor injeta capital no cliente, que devolve o dinheiro em pedidos. A defesa também tem argumento. Os US$ 5 bilhões equivalem a cerca de um sétimo dos US$ 35 bilhões da primeira etapa, e a manifestação não obriga ninguém a comprar.

Uma empresa lucrativa que decidiu diluir

A Meta projeta investimentos de capital entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões em 2026, faixa reproduzida por Benzinga e outros veículos a partir da orientação dada pela empresa. Até aqui, o grupo pagava a conta com geração de caixa da publicidade e, nos projetos maiores, com estruturas fora do balanço. O campus Hyperion, na Louisiana, projetado para 5 gigawatts, foi montado em 2025 como joint venture com fundos da Blue Owl Capital, que ficaram com 80% da sociedade, segundo o comunicado da Meta à época.

Emitir ações é a fonte mais cara de capital para uma empresa lucrativa, porque reparte o lucro futuro entre mais papéis. A escolha diz algo sobre a escala do plano: a Meta concluiu que caixa próprio, dívida e parcerias de infraestrutura não bastam para o ritmo de construção que pretende manter. Quem lê o movimento como sinal de aperto erra o diagnóstico. Uma empresa com margens de publicidade financiando capex não se compara a um laboratório que queima capital de risco. O risco está no retorno sobre esses ativos, que ainda não aparece em receita de IA separada nos balanços.

A Classe C sem voto resolve outro problema. Ao vender papéis que não votam, Mark Zuckerberg amplia a base de capital sem diluir o controle que exerce por meio das ações Classe B de voto múltiplo. Para fundos de governança, é a mesma objeção levantada contra a estrutura dual do Google na década passada.

Onde o dinheiro vai parar

A maior parte dos US$ 95 bilhões sai dos Estados Unidos e volta para a cadeia asiática de semicondutores. Em Taiwan, a TSMC fabrica os processadores da Nvidia e da AMD e os chips sob medida desenhados com a Broadcom. Na Coreia do Sul, SK Hynix e Samsung fornecem a memória de alta largura de banda que acompanha cada acelerador. Para esses fabricantes, uma captação dessa ordem funciona como carteira de pedidos com financiamento já levantado.

Na Europa, o efeito chega por energia e licenciamento. A Meta opera centros de dados na Dinamarca e na Irlanda. Na Irlanda, a operadora de rede EirGrid restringe desde 2022 novas conexões de data centers na região de Dublin, e o capital levantado nos EUA não compra megawatts que a rede europeia não tem para entregar. A expansão de IA da Meta, por isso, tende a se concentrar onde há energia disponível, e a Louisiana do Hyperion é o exemplo mais claro.

Para o CIO que compra infraestrutura de IA em nuvem, a oferta da Meta tem efeito indireto e concreto. A Meta não vende capacidade a terceiros, mas compete pelos mesmos lotes de GPUs, memória e transformadores elétricos que AWS, Microsoft e Google revendem aos clientes corporativos. Quando um único comprador levanta US$ 95 bilhões em capital próprio para construir para si, a fila de entrega encurta para ele e se alonga para o resto do mercado.

Fontes

  1. cnbc.comhttps://www.cnbc.com/2026/10/26/meta-stock-offering-ai.html
  2. siliconangle.comhttps://siliconangle.com/2026/10/26/meta-to-sell-up-to-95b-in-stock-to-finance-ai-infrastructure-buildout/
  3. sec.govhttps://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0001326801/000119312526431036/d116268dfwp.htm
  4. benzinga.comhttps://www.benzinga.com/markets/tech/26/10/62588078/zuckerberg-is-raising-the-stakes-meta-plans-95-billion-funding-push-to-fuel-ai-dreams
  5. investing.comhttps://www.investing.com/news/stock-market-news/meta-falls-as-it-launches-35-billion-equity-offering-to-fund-ai-buildout-4972118

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