Estratégia6 minRedação

Barclays e DNB cortam vagas de TI com IA; Mizuho faz o inverso

NatWest elimina 1.000 vagas no trimestre e CaixaBank descarta cortes por IA. Na Europa, o alvo tem sido a própria área de tecnologia; no Japão, a Mizuho treina backoffice para virar desenvolvedor.

Vista diurna da Plaça d'Europa com torres corporativas e movimento de trabalhadores.

O NatWest eliminou cerca de 1.000 vagas de tempo integral no terceiro trimestre, segundo os resultados divulgados na semana passada, e chega a 1.400 cortes no ano. Na sexta-feira (30), o CEO do CaixaBank, Gonzalo Gortázar, disse na apresentação dos resultados até setembro que a inteligência artificial não levará a cortes de pessoal no banco no curto prazo. Os dois anúncios, com dias de diferença, costumam ser lidos como lados opostos de um placar. A comparação está no eixo errado: a pergunta útil não é quantos empregos a IA elimina, mas quais.

O primeiro alvo é a própria tecnologia

Os cortes atribuídos à IA na Europa estão caindo de forma desproporcional sobre as áreas de suporte e de tecnologia, não sobre agências. Em 6 de outubro, o norueguês DNB informou à bolsa de Oslo que vai eliminar cerca de 400 posições na unidade Technology & Services até o fim de 2026, quase 4% de uma força de trabalho de mais de 10.500 pessoas. O banco citou ganhos de agentes de IA em gestão de dados de clientes, processos de KYC, desenvolvimento de tecnologia e programação.

Em 22 de outubro, o Barclays anunciou cerca de 5.000 cortes até o fim do ano, aproximadamente 5% do quadro. Segundo o CEO C. S. Venkatakrishnan, 60% das vagas saem de funções de suporte, incluindo menos desenvolvedores, porque a IA torna cada profissional mais produtivo. No NatWest, a economia de custos chegou a cerca de £ 420 milhões.

O caso contra a tese

Gortázar é a voz mais clara do outro lado. Para ele, eficiência não deve ser confundida com menos funcionários, e o banco pode fazer mais com a mesma equipe. O CaixaBank, que lucrou € 4,962 bilhões em nove meses, alta de 12,9%, ampliou a subsidiária CaixaBank Tech de 300 para 1.700 pessoas. Ele admite que alguns setores podem acabar com excesso de trabalhadores, mas diz não prever isso para o banco no curto prazo, uma ressalva que não deve passar despercebida.

Há evidência que enfraquece a leitura de que a IA já está cortando em massa. O quadro total do NatWest subiu no trimestre, porque a compra da gestora Evelyn Partners trouxe cerca de 2.200 funcionários. E o próprio Venkatakrishnan relativiza o papel da tecnologia: chamou a IA de "a cobertura do bolo, não o bolo", e atribuiu os ganhos a anos de investimento em tecnologia. Tratar cada demissão como prova de que a IA substitui bancários é tão impreciso quanto tratar o discurso do CaixaBank como prova de que não substitui.

Japão: requalificar em vez de cortar

A Mizuho Financial Group começa em novembro o Mizuho AI Bootcamp, segundo o Nikkei e veículos japoneses que repercutiram o plano. O programa pretende transformar funcionários de vendas e de backoffice em desenvolvedores de aplicações de IA, usando ferramentas de programação assistida para reduzir o treinamento de cerca de um ano e meio para três meses. No piloto, entre junho e agosto, cinco participantes, quatro sem experiência prévia, passaram na avaliação e foram para funções de engenharia em setembro. A meta inicial é de cerca de 100 pessoas, com seleção entre os aproximadamente 50.000 funcionários do grupo e o objetivo de chegar a alguns milhares em dez anos.

A diferença tem raiz no mercado de trabalho. No Japão, com população ativa em queda e regras que tornam demissões caras, o gargalo é falta de gente técnica, não excesso de pessoal. No Reino Unido e na Noruega, bancos usam a mesma ferramenta, programação assistida por IA, para reduzir o número de desenvolvedores. Na Espanha, o CaixaBank usa o ganho para crescer o braço de tecnologia. A tecnologia é a mesma nos três casos; a decisão sobre o que fazer com o ganho é que muda.

O que isso significa para quem vende serviços aos bancos

A distinção que o debate raso ignora é entre cortar o trabalho de tecnologia e cortar o banco. DNB e Barclays estão reduzindo exatamente o tipo de função que, há uma década, era terceirizada para consultorias e integradores: programação, manutenção de dados, KYC operacional. Se essas tarefas encolhem dentro do banco por causa de agentes de IA, a pergunta seguinte é se também encolhem nos contratos com fornecedores externos, que executam o mesmo trabalho em centros de entrega fora da Europa.

O caso Mizuho aponta a resposta alternativa. Um banco que transforma 100 funcionários de backoffice em desenvolvedores em três meses está internalizando capacidade que antes compraria fora. Em qualquer dos dois modelos, o espaço de quem vende horas de desenvolvimento para bancos diminui. O que muda entre Londres, Oslo, Barcelona e Tóquio é apenas se o ganho fica com o acionista ou com o funcionário requalificado.

Fontes

  1. gbnews.comhttps://www.gbnews.com/money/natwest-cuts-jobs-quarterly-profit-rises
  2. uk.finance.yahoo.comhttps://uk.finance.yahoo.com/news/natwest-efficiency-drive-results-job-080157850.html
  3. aol.co.ukhttps://www.aol.co.uk/articles/natwest-cuts-1-400-jobs-132000000.html
  4. capital.eshttps://capital.es/empresas/gortazar-descarta-que-la-inteligencia-artificial-reduzca-la-plantilla-de-caixabank/231443/
  5. democrata.eshttps://www.democrata.es/en/economy/gortazar-rules-out-job-cuts-at-caixabank-due-to-the-use-of-artificial-intelligence/
  6. fintechfutures.comhttps://www.fintechfutures.com/job-cuts-new-hires/norway-s-dnb-to-cut-400-jobs-in-ai-driven-restructuring
  7. itv.comhttps://www.itv.com/news/2026-10-22/barclays-to-cut-5000-jobs-this-year-as-ai-makes-work-more-efficient
  8. thestar.com.myhttps://www.thestar.com.my/business/business-news/2026/10/22/barclays-to-slash-5000-jobs-in-ai-powered-cost-cutting-drive
  9. kumanichi.comhttps://kumanichi.com/articles/2046789
  10. economy.achttps://economy.ac/news/2026/10/202610295875

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