Google Cloud cresce 103% e fatura US$ 30,7 bi no trimestre
Alphabet fatura US$ 127,6 bilhões no terceiro trimestre, com venda de sistemas TPU puxando o Cloud, mas lucro por ação de US$ 2,12 fica cerca de 30% abaixo do esperado por analistas.

A Alphabet reportou na quarta-feira (28) receita de US$ 127,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 25% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo o comunicado de resultados da empresa. O destaque foi o Google Cloud: US$ 30,7 bilhões em receita, crescimento de 103% em doze meses.
A linha de lucro contou outra história. O lucro por ação de US$ 2,12 ficou bem abaixo da estimativa de analistas, de cerca de US$ 3,01, segundo a TheStreet e a Investing.com, com o desvio atribuído principalmente a perdas não operacionais. O lucro operacional consolidado, por outro lado, subiu 30%, para US$ 40,6 bilhões.
TPU vira linha de receita
O comunicado cita as vendas de sistemas TPU, os chips de IA projetados pelo próprio Google, como contribuição relevante para o crescimento do Cloud. A mudança é de natureza, não só de escala: o Google deixa de usar os TPUs apenas como vantagem interna de custo e passa a vendê-los como sistema, competindo diretamente pelo orçamento que hoje vai para a Nvidia.
A rentabilidade acompanhou. O lucro operacional do Cloud chegou a US$ 11,1 bilhões no trimestre, margem de cerca de 36%, segundo os destaques da teleconferência publicados pelo Yahoo Finance e pela Converge Digest. A carteira de contratos do Cloud somou US$ 561 bilhões.
Posto ao lado do balanço divulgado pela Microsoft no mesmo dia, o número ganha contexto. O Azure faturou US$ 33,17 bilhões no trimestre, crescendo 48%. O Google Cloud, com US$ 30,7 bilhões, está a menos de US$ 2,5 bilhões de distância, crescendo mais que o dobro do ritmo. As duas empresas não definem os segmentos da mesma forma, e a comparação direta é imperfeita, mas a diferença de velocidade é grande demais para ser explicada só por critério contábil.
A conta do capex
A Alphabet investiu US$ 51,4 bilhões em capital no trimestre, principalmente em infraestrutura técnica para IA, e trabalha com faixa de US$ 195 bilhões a US$ 205 bilhões para o ano de 2026. É mais do que a Microsoft, que reduziu sua projeção para o ano-calendário para cerca de US$ 170 bilhões.
Esse é o argumento de quem vê exagero. Um lucro por ação cerca de 30% abaixo do esperado, num trimestre de receita recorde, alimenta a tese de que o ciclo de investimento em IA come o resultado antes de devolvê-lo. O contra-argumento está no próprio Cloud: margem operacional acima de 35% em um negócio que dobrou de tamanho em um ano é o oposto de um laboratório queimando caixa de investidores. A Alphabet financia o capex com fluxo de busca e publicidade, e o Cloud já paga uma parte crescente da conta.
O Gemini, segundo a empresa, chegou a 1 bilhão de usuários. No mesmo dia, o Google DeepMind anunciou o Gemini 4 Carbon, com acesso inicial restrito a equipes de defesa cibernética, duas semanas depois do Gemini 4 Argon.
O que muda para o comprador corporativo
Nos Estados Unidos, a venda de TPU como sistema abre uma segunda fonte de capacidade para quem treina e serve modelos em escala, num momento em que a própria Microsoft relatou atraso na entrega de capacidade contratada de terceiros. Para CIOs que negociam contratos de nuvem, ter uma alternativa com hardware próprio do fornecedor muda a mesa de negociação, ainda que migrar cargas de GPU para TPU exija reescrever parte do código.
Na Europa, a carteira de US$ 561 bilhões convive com a pressão por soberania de dados. Na Alemanha, o Google opera nuvem soberana em parceria com a T-Systems, e é por esse tipo de arranjo que bancos e órgãos públicos alemães acessam a mesma infraestrutura que agora cresce a 103%.
No Brasil, a região de São Paulo do Google Cloud é o ponto de entrada para clientes que precisam manter dados no país, como bancos sujeitos às regras de nuvem do Banco Central. A questão para esses clientes é se a capacidade de TPU e os modelos Gemini mais recentes chegam às regiões fora dos Estados Unidos no mesmo ritmo; o balanço não traz abertura geográfica da receita do Cloud que permita responder.
O balanço também desloca a pergunta que o mercado faz sobre IA. O debate deixou de ser se a receita aparece; ela apareceu, com o Cloud dobrando. A pergunta agora é quanto tempo a margem do Cloud sustenta um capex que já passa de US$ 50 bilhões por trimestre, e esse número só vai aparecer nos balanços de 2027.
Fontes
- sec.govhttps://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0001652044/000165204426000080/googexhibit991q32026.htm
- s206.q4cdn.comhttps://s206.q4cdn.com/479360582/files/doc_financials/2026/q3/2026q3-alphabet-earnings-release.pdf
- marketscreener.comhttps://www.marketscreener.com/news/alphabet-2026-q3-earnings-press-release-ce785cd3d981f42c
- finance.yahoo.comhttps://finance.yahoo.com/markets/stocks/articles/alphabet-q3-earnings-call-highlights-050416594.html
- convergedigest.comhttps://convergedigest.com/alphabet-q3-2026-google-cloud-ai-infrastructure-revenue/
- gurufocus.comhttps://www.gurufocus.com/news/9149651/alphabet-inc-goog-q3-2026-earnings-call-highlights-cloud-revenue-doubles-gemini-hits-1-billion-users-and-capex-surges-toward-205-billion
- thestreet.comhttps://www.thestreet.com/latest-news/alphabet-inc-q3-2026-earnings-call-stock-forecast