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Intel cresce 21%, mas fábrica em Israel e PCs derrubam ações

Receita de data center subiu 78% no terceiro trimestre, mas a parada da Fab 28, em Kiryat Gat, tira cerca de US$ 300 milhões do quarto trimestre e a projeção fraca levou as ações a cair mais de 14%.

Processador Intel Xeon sendo retirado de uma bandeja antiestática por uma ferramenta de vácuo.

A Intel fechou o terceiro trimestre de 2026 com receita de US$ 16,5 bilhões, alta de 21% sobre o mesmo período de 2025, e lucro por ação ajustado de US$ 0,52, segundo o balanço divulgado na quinta-feira (29). A divisão de data center e IA faturou US$ 7,3 bilhões, crescimento de 78%. Nada disso segurou as ações: os papéis recuavam entre 14% e 21% nas negociações após o fechamento, conforme o horário e a fonte da cotação.

O que derrubou a Intel foi o quarto trimestre. A empresa projeta receita entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões e lucro por ação ajustado de US$ 0,25, menos da metade do resultado que acabou de entregar. Dois fatores explicam a projeção: a parada da Fab 28, em Kiryat Gat, Israel, e a fraqueza do mercado de PCs.

O custo de Kiryat Gat

Em 14 de outubro, uma explosão durante a troca de um cilindro de trifluoreto de nitrogênio, gás usado na limpeza de câmaras de fabricação, matou dois trabalhadores da Fab 28 e deixou um terceiro em estado grave. As autoridades israelenses investigam a causa, e a Intel informou que coopera com a apuração.

Segundo David Zinsner, diretor financeiro da Intel, a parada da fábrica deve retirar cerca de US$ 300 milhões da receita do quarto trimestre e 2 pontos percentuais da margem bruta. A fábrica israelense produz principalmente processadores para data center, justamente a linha que cresceu 78% no trimestre. A Intel perde volume na categoria em que a demanda está mais forte.

Lip-Bu Tan, CEO da Intel, resumiu a prioridade na teleconferência: liberar oferta adicional para atender à "demanda extraordinária" pela família Xeon. A frase descreve uma empresa com mais pedidos do que consegue produzir em servidores, e com menos pedidos do que gostaria em PCs. Zinsner disse que a desaceleração dos PCs deve se estender pelo menos até o primeiro semestre de 2027.

Demanda real, capacidade curta

A leitura otimista tem base. Os US$ 7,3 bilhões em data center mostram que a onda de inferência de IA não depende só de GPUs: agentes e cargas de trabalho corporativas rodam em CPUs de servidor, e os hiperescaladores voltaram a comprar Xeon. O lucro por ação ajustado de US$ 0,52 superou as estimativas dos analistas.

A leitura pessimista também tem. A unidade de fundição, Intel Foundry, segue no prejuízo e consome caixa que a Intel precisa para sustentar a expansão de capacidade em 2027. Um acidente fatal em uma única fábrica bastou para cortar US$ 300 milhões de receita e 2 pontos de margem em um trimestre, sinal de que a rede de produção tem pouca folga. E a orientação de US$ 0,25 por ação é a que o mercado vai usar como base, não o resultado de US$ 0,52.

A distinção que importa para o comprador corporativo é que o problema da Intel hoje é de oferta, não de produto. Isso é diferente da situação de 2024, quando a empresa perdia participação em servidores por desvantagem tecnológica.

Quem sente a falta de chips

Em Israel, onde a Intel é uma das maiores empregadoras privadas do setor de tecnologia, a Fab 28 é o símbolo do investimento industrial do país. O acidente abre uma discussão de segurança operacional que vai além da Intel: o trifluoreto de nitrogênio é usado em praticamente toda fábrica de semicondutores, de Taiwan à Coreia do Sul.

Na Malásia, onde a Intel concentra em Penang e Kulim boa parte da montagem e do teste de seus processadores, menos pastilhas saindo de Kiryat Gat significa menos volume para as linhas de encapsulamento no quarto trimestre e no primeiro trimestre de 2027.

Nos Estados Unidos e na Europa, quem sente é o comprador de servidores. Fabricantes como Dell, HPE e Lenovo dependem do Xeon para a maior parte das configurações corporativas, e uma empresa que fala em "demanda extraordinária" sem oferta suficiente tende a priorizar os maiores contratos. Para o CIO de um banco ou de uma seguradora que planeja renovar servidores para cargas de inferência em 2027, o recado é antecipar pedidos e considerar alternativas da AMD ou processadores Arm dos próprios provedores de nuvem.

No Brasil, onde boa parte dos servidores corporativos chega via esses mesmos fabricantes, o efeito vem em prazo de entrega, não em preço de tabela. Integradoras que vendem infraestrutura para o setor financeiro brasileiro dependem de alocação definida nos Estados Unidos.

O dado mais revelador do trimestre é a combinação entre receita de data center crescendo 78% e ações caindo mais de 14%. O mercado já não questiona se a Intel tem produto para a era da inferência. Questiona se ela tem fábricas, e caixa, para entregá-lo.

Fontes

  1. sec.govhttps://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0000050863/000005086326000188/q326earningsrelease.htm
  2. investing.comhttps://www.investing.com/news/company-news/intel-q3-2026-slides-record-data-center-growth-stock-tumbles-on-outlook-93CH-4985517
  3. theedgemalaysia.comhttps://theedgemalaysia.com/node/823883
  4. wkzo.comhttps://wkzo.com/2026/10/29/intel-forecast-disappoints-as-israel-fab-blast-pc-weakness-weigh/
  5. datacenterdynamics.comhttps://www.datacenterdynamics.com/en/news/two-workers-killed-third-injured-in-explosion-at-intels-kiryat-gat-fab-in-israel/

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