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Oracle mira US$ 225 bi em 2030 e limita captação a US$ 20 bi

No Investor Day em Las Vegas, a Oracle projetou crescimento anual acima de 35% até o ano fiscal de 2030 e prometeu limitar novas emissões de ações e dívida a US$ 20 bilhões. As ações subiram cerca de 11%.

Técnico ajusta uma conexão de mangueira de resfriamento em um gabinete de servidores.

A Oracle apresentou na quarta-feira (28), em seu Investor Day em Las Vegas, a meta de receita de pelo menos US$ 225 bilhões no ano fiscal de 2030, o que corresponde a crescimento médio anual acima de 35% a partir do ano fiscal de 2026, segundo o comunicado da empresa. As ações fecharam em alta de cerca de 11% no dia.

O alvo de receita não foi o que mais pesou na reação. Junto com ele, a Oracle prometeu limitar a captação adicional no mercado de capitais até 2030 a US$ 20 bilhões, divididos em US$ 10 bilhões em ações e US$ 10 bilhões em dívida bruta, sem contar refinanciamento de dívida existente.

O teto de captação como resposta ao mercado

O compromisso mira a principal objeção dos investidores ao longo do ano, a de que a construção de centros de dados para grandes clientes de IA, como a OpenAI, exigiria emissões sucessivas de dívida e ações; a CNBC atribuiu a alta das ações justamente à clareza sobre o financiamento. A empresa também projetou fluxo de caixa livre positivo no segundo semestre do ano fiscal de 2028 e acima de US$ 30 bilhões no ano fiscal de 2029, segundo o comunicado.

Para 2030, a Oracle mira margem operacional não GAAP acima de 40% e lucro por ação não GAAP acima de US$ 21. Para o ano fiscal de 2027, reafirmou a previsão de receita de pelo menos US$ 90 bilhões e lucro por ação não GAAP de US$ 8,10. Sair de US$ 90 bilhões para US$ 225 bilhões em três anos exige que a receita cresça cerca de 2,5 vezes nesse intervalo.

O ceticismo tem base concreta. O fluxo de caixa livre só fica positivo daqui a quase dois anos, e até lá o crescimento depende de a Oracle entregar capacidade de computação no prazo contratado. O mesmo risco apareceu no balanço da Microsoft no mesmo dia, quando a diretora financeira Amy Hood atribuiu parte do capex do trimestre ao atraso de capacidade prometida por terceiros. A diferença é que a Microsoft financia a construção com lucro operacional de software, e a Oracle carrega uma estrutura de capital mais apertada para o mesmo tipo de aposta.

Vera Rubin como base física

A meta se apoia em hardware que a Oracle já começou a disponibilizar. Na véspera, em 27 de outubro, Oracle e Nvidia anunciaram a disponibilidade geral dos sistemas Vera Rubin NVL72 e dos processadores Vera na Oracle Cloud Infrastructure, e planos de levar os superclusters da OCI à escala de múltiplos gigawatts, segundo o comunicado conjunto.

O comunicado conjunto trata a escala de múltiplos gigawatts como plano, não como capacidade instalada. Para quem compra, a distinção importa: os sistemas NVL72 já podem ser contratados, mas o volume que sustenta a meta de 2030 ainda precisa ser construído, energizado e entregue, e é nessa etapa que a Microsoft acaba de relatar atrasos de fornecedores. A Oracle não apresentou meta de receita separada para a OCI no Investor Day, o que impede medir quanto dos US$ 225 bilhões depende especificamente dessa construção.

Japão e Brasil na conta

A tese de crescimento não se limita aos Estados Unidos. No Japão, a Oracle anunciou em 2024 investimento de mais de US$ 8 bilhões ao longo de dez anos em computação em nuvem e IA no país, com foco em regiões soberanas operadas por equipes locais. Para bancos e órgãos públicos japoneses, que precisam manter dados e operação dentro do país, a capacidade de a Oracle cumprir o cronograma de construção pesa tanto quanto o preço.

No Brasil, a OCI opera regiões em São Paulo e em Vinhedo, no interior paulista, e o banco de dados Oracle está nos sistemas centrais de muitos bancos e operadoras de telecomunicações do país. O canal de impacto aqui é o contrato de licenciamento: a Oracle vem oferecendo seu banco de dados dentro das nuvens de Microsoft, Google e AWS, e o cliente brasileiro que migra para qualquer uma delas continua pagando à Oracle.

Esse é o ponto que a meta de 2030 não deixa explícito. Uma parte da receita projetada depende de clientes de IA concentrados, com contratos de vários bilhões cada; outra depende da base instalada de banco de dados e aplicações, que cresce mais devagar mas é distribuída por milhares de empresas em dezenas de países. O teto de US$ 20 bilhões em captação dá ao mercado uma régua para cobrar a execução. Se a Oracle precisar rompê-lo antes de 2030, o investidor saberá que a primeira metade da conta, a dos grandes contratos de IA, custou mais do que o planejado.

Fontes

  1. sec.govhttps://www.sec.gov/Archives/edgar/data/0001341439/000119312526435853/d75538dex991.htm
  2. cnbc.comhttps://www.cnbc.com/2026/10/28/oracle-forecast-growth-2030.html
  3. streetinsider.comhttps://www.streetinsider.com/Corporate+News/Oracle+sets+%24225+billion+revenue+target+for+FY30+at+investor+day/27248381.html
  4. investing.comhttps://www.investing.com/news/company-news/oracle-sets-fy30-revenue-target-above-225b-with-35-growth-rate-93CH-4980446
  5. investinglive.comhttps://investinglive.com/stocks/icymi-oracle-jumps-around-11-on-225bn-2030-revenue-goal-and-20bn-cap-on-new-funding/
  6. blogs.oracle.comhttps://blogs.oracle.com/cloud-infrastructure/nvidia-vera-rubin-vera-cpus-oci

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